Forçado a adivinhar o futuro…

Quem me acompanha já a algum tempo sabe da minha total aversão quanto a tentar adivinhar o futuro, dentro das possibilidades eu simplesmente me recuso a tomar qualquer tipo de decisão financeira esperando acertar para qual lado o mercado financeiro irá rumar. Mas é lógico que no começo da minha vida financeira eu achava que tudo não passava de pura lógica e o mercado era extremamente racional, com base nisso as primeiras ações que comprei na vida no alto dos meus 18 anos foram as da Petrobras com base na lógica de que um dia o petróleo iria acabar e o barril valeria tanto quanto ouro… faz sentido não faz? Porém 23 anos depois a história me mostrou que nem a lógica mais óbvia do mundo garante que um investimento irá se comportar como o esperado. Quem poderia prever coisas do tipo "petrolão", energia limpa, Tesla, etc...?





   Com o processo de migração para Portugal em andamento é impossível eu não acompanhar mais de perto a desvalorização do nosso real frente às outras moedas, reflexo disso já foi o post anterior sobre o assunto. Porém mesmo tentando não tomar minhas decisões com base no que eu acho que irá acontecer no futuro hoje me vi obrigado a sair de cima do muro e decidir de qual lado quero estar, o lado dos que acreditam que os mercados irão subir e o dólar irá recuar ou então ficar ao lado dos que são mais pessimista e já enxergam uma bela crise no horizonte. Isso porque como parte do processo migratório sou obrigado a abrir uma conta em Portugal e depositar o correspondente a um ano de despesas com base no salário mínimo português (635 euros), em outras palavras devo depositar 12 vezes 635 euros para mim mais a metade disso para a minha esposa totalizando 11.430 euros. Apesar de não ser nada que irá mudar a minha vida ainda sim estamos falando de mais de 50 mil reias com o valor do euro de hoje. Antes que perguntem abri conta pela internet no Banco Atlântico Europe, tudo muito fácil e rápido.


   Felizmente por conta diversificação dos meus investimentos eu possuo no momento duas opções que na verdade não passam de um jogo de adivinhação. Eu por exemplo posso apostar que o euro continuará a subir frente ao real e por isso simplesmente faço uma transferência do Brasil para Portugal tirando recursos dos CDBs e poupança onde o Fundo Tio Patinhas está alocado. Ou então assumo que a bolsa americana está super valorizada e tiro uns 15 mil dólares dos ETFs investidos por lá matando dois coelhos com um cajadada só evitando um câmbio super valorizado por aqui e colocando no bolso parte dos lucros obtidos com a alta da bolsa americana… notem que em ambos os casos só mesmo o futuro dirá qual foi a melhor aposta. A princípio pode parecer que uma solução intermediária seja a mais prudente tirando uma parte das aplicações que estão lá fora e outro tanto aqui do Brasil, mas vale lembrar que transferências internacionais são extremamente caras independentemente do valor enviado. No meu caso mandar qualquer valor dos EUA para Portugal custa 35 dólares, então prefiro não ficar jogando dinheiro fora e transferir tudo de uma vez e de um lugar só.


   Na verdade já tomei minha decisão e hoje vendi 15 mil dólares em ETFs SP500 e REITs (deixando os bonds intocados) que quando creditados em minha conta serão transferidos para a instituição em Portugal, se foi a decisão correta só o tempo dirá… porém como já disse não é nada que irá fazer muita diferença nas finanças, o dinheiro continua em moeda forte e só irei talvez perder uma possível alta ainda maior da bolsa americana. Preferi fazer dessa forma por achar que o ano de 2020 promete uma retomada mais vigorosa da economia brasileira e com isso um alívio do câmbio a médio prazo. Se isso acontecer realmente será um bom momento para repor esse dinheiro que foi sacado dos ETFs lá fora, de um jeito ou de outro já embolsei uma parte dos lucros dessa alta sem fim da bolsa americana… enfim, essa é minha aposta. Qual é a sua?

Sr.IF