Meus três maiores erros rumo à IF...

   Se arrependimento matasse eu já estaria morto! É assim que eu me sinto quando relembro quais foram os maiores erros financeiros que cometi no início da minha carreira profissional.
   Por escolher uma profissão pouco comum e muito especializada sempre tive o privilégio de ganhar razoavelmente bem desde o meu primeiro emprego com carteira assinada. Infelizmente já não posso dizer o mesmo sobre a minha maturidade, demorou muito para a ficha cair e eu me tocar que esse privilégio me permitiria aposentar cedo. Na verdade tenho a certeza de que eu já poderia estar aposentado caso não tivesse cometido três erros básicos que me distanciaram no mínimo cinco anos da minha FIRE (Financial Independence Retire Early).






   Erro #3 - Casar cedo

   Como todo jovem nascido nos anos 70 achei que a vida se resumia a crescer, estudar, trabalhar, casar, ter filhos e aposentar quando velho. E foi justamente isso que eu fiz, seguindo firme na “corrida dos ratos” me casei super cedo e com a pessoa errada! Não vou entrar em detalhes mas depois de 6 anos casados a maré virou e a mulher que deveria sempre jogar no meu time mostrou quem realmente era de verdade e me forçou a pedir o divórcio, a partir do momento que anunciei minha intenção de deixar a relação ela se transformou completamente e tentou tirar tudo que era possível do meu suado patrimônio. Isso incluiu metade das minhas aplicações e da casa que eu construí com meu próprio dinheiro. Infelizmente a lei brasileira é clara, casamento com comunhão parcial de bens é isso mesmo, tudo que foi adquirido durante a união é de propriedade dos dois e tem que ser dividido em caso de divórcio, independentemente de quem pagou pelos bens. Dessa forma lá se foi um dos carros, metade da casa, metade das aplicações e provavelmente alguns anos de vida por causa do stress.








   Erro #2 - Adquirir a casa própria

    Lembra o imóvel que a ex levou no erro #3? Então, era uma bela casa de 400m2 em um terreno maravilhoso de 1000m2. Imóvel que eu mesmo construí e que tornou-se um enorme atraso de vida rumo a minha independência financeira. Primeiro porque acabou me custado o dobro do preço quando fui obrigado a comprar metade dele da minha ex, lembrando q ela não colocou um centavo na obra mas quis a parte dela quando anunciei o divórcio. Depois do divórcio continuei a morar neste imóvel até a época que decidi sair do país, coloquei à venda e a pesar de não conseguir uma única oferta de compra o imóvel foi alugado logo que eu o desocupei.
O locatário era um bom inquilino, nunca me deu problema e até cheguei a imaginar que imóvel é bom negócio. Foi então que um dia o inquilino me ligou avisando que também deixaria o país e desocuparia o imóvel. De um mês para outro vi minha renda passiva encolher 3 mil reais e ainda teria que arcar com IPTU, condomínio, etc... um pesadelo financeiro que dura até hoje. Devido à crise que atinge o Brasil ninguém quer comprar ou mesmo alugar uma casa de alto padrão. Meu objetivo é realmente vendê-la e distribuir o montante na minha carteira de forma a gerar renda passiva (Tesouro IPCA, ações e FIIs). Ainda sonho com a possibilidade de que por um milagre consiga um preço elevado na venda,  e assim quem sabe antecipar mais ainda minha IF. Porém se o pior acontecer e eu não vender até maio de 2019 me vejo forçado a voltar ao Brasil e morar nele até conseguir me livrar deste encosto quando aí sim me mudaria para a Ásia conforme planejado.









   Erro #1 - Inflar meu estilo de vida

    Não tem erro mais grave e mais comum entre as pessoas doque achar que porque está ganhando mais pode gastar mais. Chamo isso de “inflar o estilo de vida”. Como já mencionei, desde o início da minha carreira fui afortunado com com bons salários, principalmente porque comecei cedo. Já no meu primeiro emprego me vi recebendo bem mais que a média dos meus amigos que ainda cursavam a faculdade e de quebra era solteiro morando com os pais. Ao invés de aproveitar essa oportunidade e sair na frente na jornada rumo a minha IF decidi gastar a grana indiscriminadamente em baladas, financiamento de carro zero e gadgets de última geração (na época era vidrado em cameras fotográficas digitais. Comprei logo uma DSLR Nikon com lentes que custavam uma fortuna, tenho até hoje essas lentes).
Minha carreira progrediu eu me vi com mais dinheiro ainda, então decidi financiar um apartamento e deixar de morar com os meus pais, uma decisão que tem sim seus méritos mas hoje vejo que poderia ter continuado a morar com eles por mais um tempo e comprar um imóvel à vista.
  Finalmente consegui o emprego na empresa dos sonhos, não exatamente no cargo que eu sonhei a vida inteira mas tinha a certeza de que não demoraria a chegar lá, então fiquei noivo e prometi que casaria assim que conseguisse a sonhada promoção. Cinco anos depois a promoção veio, e aí o salário dobrou da noite para o dia! Oque foi que eu fiz? Uma festa de casamento que custou o preço de um carro, lua de mel que custou meio carro, mobília nova, mais viagens e logicamente cometi o erro #2… vendi o apartamento para construir uma casa financiada.
   Quando me mudei para a nova casa deveria me sentir no topo do mundo, um belo salário, dois carros zero financiados, uma casa financiada, viagens para o exterior e acredite se quiser até um dinheirinho no banco eu tinha guardado! Apesar das dívidas eu nunca atrasei um único pagamento em minha vida, porém também nunca estive tão longe da minha IF ( sem falar que nunca estive tão infeliz, vc pode ler sobre isso na minha apresentação pessoal clicando AQUI.)






   Sinceramente meu estômago até dói quando penso no dinheiro que joguei fora durante todo esse tempo. Poderia estar curtindo a IF aos 35 anos e não ter que passar pelo perrengue que passo todos os dias nesse fim de mundo que me meti. Uma máquina do tempo vira bem a calhar, voltaria para 1998 e esfregaria na minha “cara de moleque” como sería a vida no futuro caso tivesse sido mais maduro e começasse logo cedo a trabalhar no meu sonho de IF ao invés de seguir a manada de ratos.
   Posso dizer que aprendi a lição e gostaria de um dia poder ajudar algum jovem a começar cedo o projeto de IF para que não morra de arrependimento quando chegar na minha idade. Talvez seja uma missão impossível convencer um jovem a pensar tão lá na frente, fazer ele acreditar que mesmo investindo pouco no começo da carreira vai fazer uma enorme diferença no futuro e que o trabalho que ele ama hoje vai com certeza escraviza-lo no futuro.

  Enfim, errar é humano mas cometer o mesmo erro é burrice…

Sr. IF365

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