Mudança de estratégia…

   Ao escrever meu último post sobre FIIs uma luz acendeu na minha cabeça e me fez perceber como meus investimentos estavam absurdamente mal diversificados, o planejamento inicial era obter rendimentos dos cupons do Tesouro Direto e viver disso pelo resto da vida. Acreditava piamente que seria possível vencer a inflação ao longo dos 60 anos que ainda espero viver sem precisar necessariamente trabalhar (pretendo viver até os 101 anos!), e que o governo honraria seus compromissos com os credores. Foi quando no post anterior mergulhei mais a fundo no meu portfólio de FIIs e notei como não só estava obtendo melhores rendimentos dessa classe de ativos como também obtendo uma maior diversificação quando comparado à concentração que eu tinha no Tesouro Direto.

   Enquanto 75% ou mais do meu patrimônio estivesse aplicado no Tesouro Direto minha IF dependeria exclusivamente do governo brasileiro, enquanto que aplicando em FIIs meus rendimentos mensais dependeriam de mais de uma centena de fontes pagadoras (considerando que a maioria dos fundo tem mais de um imóvel e dentro desses imóveis pode existir mais de um inqulino).






   Com isso em mente simplesmente não consegui dormir mais a noite, era uma mistura de medo por descobrir quão vulnerável minha IF estava com a excitação de pensar nos rendimentos que eu poderia obter aumentando consideravelmente minha posição em FIIs. Parecia bom de mais para ser verdade, assim como o Viver de Renda descobriu que ele não precisava correr o risco do mercado acionário para garantir sua IF ao colocar tudo no Tesouro IPCA (você pode ler a história dele AQUI), eu estava fazendo meio que o caminho inverso ao decidir pular fora dos títulos públicos e alicerçar minha IF em imóveis através de FIIs. Mas onde estaria a “pegadinha”? Se fizesse esse movimento abrupto minha diversificação aumentaria, minha renda passiva subiria (ao ponto de eu poder me aposentar imediatamente) e caso levasse a cabo o plano de trabalhar até Maio de 2019 ainda teria rendimentos de sobra para reinvestir mensalmente uma parcela considerável da renda passiva. Simplesmente não achava onde poderia estar o “erro” nessa equação, foi então que recorri ao meus conselheiros de confiança quando considero investir em FIIs, a galera do fórum Clube FII. Se você procurar com calma vai ver a minha postagem a respeito do assunto e a excelente discussão que a pergunta desencadeou.

   Basicamente fiz uma lista de argumentos a favor de tal movimento e uma lista contra fazer a mudança para FIIs, basicamente a intenção era mudar completamente o perfil da carteira ficando com 75% em FIIs, 10% Ações, 10% Tesouro IPCA2050, e 5% reservas cambiais. Um movimento imediato de basicamente de 1 milhão de reais do TD para FIIs, posteriormente mais os aportes até 2019 e mais o dinheiro da possível venda da casa. No final do meu plano eu teria 2.7kk em FIIs, 300k em ações, 300 em TD e 150k em dólares como reserva de emergência. Ao fazer tal simulação a minha renda passiva disparou de 14 mil para próximo de 20 mil por mês! Ou seja considerando que meus gastos mensais serão de 8 mil poderia reaplicar 12 mil todo mês onde quisesse e dessa forma tendo a opção de ou combater a inflação, ampliar a posição em FIIs, construir patrimônio no exterior ou tudo ao mesmo tempo. Com essa conta em mente levantei os pontos positivos e negativos de tal mudança.



Positivos


- Diversificação, ao contrário do que parece tirar do TD para FIIs eu estaria saindo das mãos de uma única fonte pagadora para receber pagamento de centenas de fontes pagadoras em forma de aluguel.

- Maior rentabilidade, mesmo tendo travado taxas razoáveis no TD a rentabilidade líquida está decepcionante por causa do IR e da inflação real quando comparada com o IPCA. Como mencionei a renda passiva subiria de 14k para 20k mensais com a nova alocação, esse dinheiro extra seria re-investido de várias formas com o intuito de diversificar mais o portfólio uma vez q a renda para eu viver já está de certa forma garantida.

- Renda mensal, ao contrário do TD os FIIs me permitem gerenciar os gastos e ganhos mais precisamente por pagarem mensalmente ao contrário do TD que paga semestralmente.

- Maior poder de reinvestindo, o dinheiro extra conseguido com a realocação em FIIs não servirá para inflacionar meu estilo de vida e sim reinvestimentos.

- Possibilidade de ampliar lucros, enquanto no Tesouro Direto eu sei o quanto irei “ganha” lá na frente os FIIs são ativos de renda variável e podem tanto subir como descer. Então caso o Brasil venha a dar certo posso ter lucros inesperados com a valorização das cotas mesmo não sendo esse nem de longe meu objetivo de investimento.

- Bom momento para vender títulos, a marcação de mercado super valorizou meus títulos públicos e considerando que não existe muito mais margem para outras quedas nos juros a curto prazo esse seria um bom momento para vender os títulos com lucro imediato.



Negativos

- Exposição ao mercado de renda variável, também como existe a possibilidade das cotas subirem se o Brasil der certo existe a possibilidade de despencarem caso a crise se aprofunde. Assim funciona o mercado de renda variável, com o tanto que consiga alcançar uma renda passiva suficiente para me manter não vejo problemas nesse sobe e desce.

- Proteção contra hiper inflação, se o país votar a sofrer com hiper inflação os FIIs juntamente com todos os outros investimentos irão perder rendimento. com o Tesouro IPCA eu estaria menos expostos às essas perdas.

- “Mau” momento para comprar FIIs, juros em baixa e cotas dos FIIs em alta. É assim que funciona, quando a renda fixa paga pouco todo mundo corre para a renda variável, alguns dizem que estamos vivendo o topo do mercado e outros dizem que tem espaço para mais crescimento conforme a economia se recupera. Não faz parte da minha estratégia adivinhar o mercado, mas caso seja o topo fica de consolo saber que também vendi o meus títulos no topo, ou seja caso os juros voltem a subir devolveria os ganhos dos títulos da mesma maneira que vou devolver quando as cotas cairem. O consolo seria ver a renda passiva se manter.

- Mudança de tributação, enquanto considero que o risco de calote dos títulos pelo governo é baixa também acredito que a possibilidade do governo passar a taxar os dividendos dos FIIs no futuro seja bem real.

- Movimentação brusca da carteira, fazendo tal movimentação eu quebrei a regra de ouro que diz “não faça grandes movimentos”.

  Enfim, acho que quem leu atentamente percebeu que usei termos no passado, isso porque já realizei o resgate de mais de 1kk do Tesouro Direto e já realoquei praticamente tudo no meu portfólio de FIIs, algumas ordens ainda estão pendentes e espero que sejam executadas nas próximas semanas. A contabilidade de renda passiva ficou meio bagunçada pq recebi os cupons do Tesouro e já tinha feito a projeção para os próximos 6 meses, se eu somar os rendimentos dos FIIs vou acabar “superfaturando” os ganhos. Então até o próximo semestre não vou ter um cálculo preciso da renda passiva, já o patrimônio continua o mesmo pois já considerava o IR e valor real dos Títulos, foi só questão de realocação de recursos.





   Momento tenso na minha vida financeira, mas a concentração de recursos nas mãos do governo estar de certa forma me estressando também, então fiz apenas realocação de stress!rs Acho que conforme for vendo a renda passiva subindo e os reinvestimentos acontecendo ficarei menos preocupado com a decisão…. Já para saber se foi certa ou errada eu respondo em algum post daqui a 60 anos.

SrIF366

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