Não escolha um trabalho que você ama… e sim um que lhe trará dinheiro.

   Já ouviu a frase “escolha um trabalho que você ama e nunca mais terás que trabalhar um dia seque em sua vida”? Com todo respeito ao autor mas considero uma das maiores falácias da vida moderna, pelo que observo a minha volta o correto seria dizer “escolha um trabalho que você ama e nunca mais irá amar nada em sua vida”. Tentar monetizar uma paixão ou um hobby é um crime contra a sua satisfação pessoal, sei que esse pensamento vai contra tudo mais que você já leu em sites motivacionais porém gostaria que antes de me julgar acompanhasse o raciocínio abaixo.






   Inicialmente até parece ser um sonho poder realizar diariamente uma tarefa que não só lhe trará prazer mas ainda por cima será remunerada. Mas assim como todo bom ser humano vivemos uma inquietude e insatisfação interna que nos impulsiona a sempre buscarmos novos desafios, porém na grande maioria das vezes nosso trabalho é repetitivo e não oferece grandes oportunidades de crescimento. Por mais desafiador que sua profissão seja uma hora você irá se tornar tão bom no que faz que fatalmente irá cair na rotina. Se por um lado aos olhos da empresa é excelente ter um profissional que se tornou “mestre Jedi” em sua função o mesmo não se aplica ao empregado, além do trabalho se tornar monótono a tendência é que a empresa tente lhe segurar ao máximo naquela função para colher os frutos da tamanha habilidade para executar tal tarefa.


   Outro ponto relevante para não se trabalhar com o que se ama é poder separar a emoção da razão, é muito comum em profissões “romantizadas” tais como medicina, pilotos de avião, bombeiros, etc… misturar a razão com a emoção e justamente por esse motivo o profissional acaba aceitando não só uma remuneração inferior ao que ele realmente vale mas também não muito raro abusos por parte do empregador. Chamo de profissões “romantizadas” aquelas que o indivíduo recebe “um chamado” e escolheu fazer aquilo por pura paixão, o médico idealiza salvar vidas, o piloto com o eterno sonho de Ícaro e o bombeiro em busca de emoção. São realmente profissões vibrantes mas que em pouco tempo, depois que a “adrenalina inicial” se esgota, caem em uma rotina terrível de infinitos plantões noturnos, noites de natal longe da família e constante exposição ao risco de perder a vida como no caso do bombeiro. Mais grave ainda é quando você escolhe uma atividade que ama e ela é mal remunerada, cito como exemplo professores.


   Trabalho tem um único objetivo, lhe prover sustento! Não é para ser divertido e nem agradável, e mesmo que seja essa alegria não irá durar para sempre. Então escolha um profissão que ao menos irá lhe permitir um dia chegar à IF e poder finalmente fazer oque se ama quando quiser e se quiser, sem a obrigação diária do trabalho. Já amei muito minha profissão e no começo da carreira até cometeria a heresia de trabalhar de graça, mas hoje digo com toda a certeza do mundo que a única coisa boa da minha atividade é que me paga o suficiente para pular fora no futuro próximo. Me considero um afortunado pois apesar de ter escolhido essa carreira por paixão acabei caindo de paraquedas em uma atividade que se revelou muito bem remunerada. Mas não basta ter “sorte”, tem que ter cabeça e consciência de que por mais que se ame um trabalho, uma hora você vai querer deixa-lo para trás. Vejo meus colegas de profissão que mesmo não odiando o trabalho como eu odeio, ainda sim pensam em se aposentar antes do tempo normal mas pouco fazem para efetivamente se prepararem financeiramente para isso, gastam tudo que ganham por acharem que o trabalho não é tão ruim e a aposentadoria está distante. Nesse ponto tenho que agradecer minha insatisfação com a profissão pois foi essa mesma insatisfação que me impulsionou rumo à IF, acho que se ainda amasse a profissão cairia na mesma armadilha de gastar tudo que ganho uma vez que “o trabalho não é tão ruim assim”…


   Um último ponto para não se misturar paixão com trabalho é não cair na velha história da carochinha de que “aqui dentro da empresa somos uma família”, pessoas apaixonas pela profissão tendem a desenvolver um apego enorme pelo ambiente de trabalho, se sentem como fossem parte de uma grande família. Mas esquecem que na crise famílias não colocam seus integrantes para fora de casa! Ora meu caro leitor me diga se caso a sua situação financeira apertasse você simplesmente colocaria seu filho para fora de casa, ou então a esposa (se bem que no caso da esposa vai ter gente que responderia que sim!rs). Brincadeiras a parte empresa não é e nunca será família, não importa o quanto você escolheu trabalhar lá por paixão a hora que a coisa apertar, ou pior você não tiver mais o “perfil desejado”, pode ter certeza de que irá para o olho da rua.


   Sei que esse post vai contra tudo que aprendemos “internet a fora” e que muitos até se sintam ofendidos com as duras palavras ditas acima, mas infelizmente no mundo atual em que vivemos imaginar que a mistura de paixão com trabalho é a resposta para enfrentarmos a sociedade capitalista dos dias de hoje, me parece mais uma receita de desastre doque o caminho para a felicidade. Não trabalhe no que você ama e sim no que lhe trás dinheiro, isso irá lhe prover a liberdade necessária para um dia poder se dedicar de corpo e alma a sua verdadeira paixão.


Sr IF365