Como pretendo gastar meu patrimônio após a IF… (Parte II)

   Dando continuidade ao post anterior vou falar sobre o segundo desafio de como eu pretendo gastar meu patrimônio após começar a viver a independência financeira e aposentadoria antecipada. Já percebi que “desfrugalização” será necessária para evitar a “síndrome de Tio Patinhas”, onde a pessoa continua acumulando patrimônio sem necessidade visando simplesmente vê-lo crescer e não aproveitando plenamente a IF conquistada.




   O segundo desafio (que ao meu ver é bem maior que o primeiro) será o de perpetuar o patrimônio de forma que ele dure o tempo que for necessário conforme os objetivos de cada um. Algumas pessoas desejam que ele fique intacto frente à inflação ao longo dos anos para que possa ser deixado como herança, enquanto outros aceitam que ele seja reduzido ao longo do tempo mas ainda sim consiga prover o sustento necessário para levar uma vida confortável até a hora de “passar dessa para uma melhor”. No meu caso optei por uma estratégia intermediária, minha companheira é bem mais jovem que eu e mesmo não tendo filhos não quero deixar ela na miséria o dia que partir, o plano inicial é conseguir reaplicar um valor substancial da renda passiva para não só vencer a inflação como também fazer ele crescer lentamente. Mas conforme o tempo for passando, e eu tiver uma noção melhor de como as coisas estão se encaminhando, o plano é reduzir os reinvestimentos e quem sabe até deixar o patrimônio ser lentamente corrido quando ambos já tivermos mais idade.


   Minhas planilhas indicam que a renda passiva bruta em Maio de 2019 (quando pedirei demissão do emprego) será de aproximadamente 20 mil reais, já meu orçamento para a IF está inicialmente em R$6.5 mil , uma boa folga para reinvestir e vencer a temida inflação. Se os números se concretizarem não preciso me preocupar com a perda do poder de compra ao longo do tempo, porém os planos para a IF não se resumem a sobreviver sem trabalhar e sim viver e aproveitar a vida sem ter que trabalhar, caso eu decidisse somente gastar esses R$6.5 mil e reaplicar todo o restante cairia novamente na cilada da “síndrome de Tio Patinhas”, percebeu agora como os dois desafios estão relacionados?


   Acredito que nos primeiros anos de IF os gastos sejam elevados, mas depois se estabilizem e conforme o tempo for passando voltem a subir, por isso meu planejamento é ir adaptando as finanças a cada fase da vida. No começo será imperativo que eu ao menos consiga repor minha inflação pessoal, anoto absolutamente todos os meus gastos e assim será possível calcular minha inflação com base no país onde moro e nos produtos que consumo. Continuarei fazendo o acompanhamento patrimonial todo mês e calcularei o aporte necessário para manter o poder de compra, ao contrário doque faço hoje esse aporte será retirado logo de cara da renda passiva e reinvestido, o restante que sobrar irá cobrir as despesas.


   Ainda sim após pagar todas as contas do mês segundo meus cálculos irá sobrar uma quantia razoável que será inicialmente utilizada para combater a “síndrome de Tio Patinhas”, em outras palavras não vou desperdiçar mas também não vou engessar esse dinheiro em investimentos de longo prazo, quero usar para viajar algumas vezes por ano, gastar com produtos supérfluos e entretenimento. Tudo isso depois de garantir que o necessário para cobrir a inflação ja foi reinvestido! Mas a vida é feita de fases e conforme for envelhecendo gastos com saúde por exemplo devem aumentar, por isso depois que tudo se estabilizar quero reinvestir parte doque sobrar não só para vencer a inflação mas também para diversificar o patrimônio, protege-lo do risco Brasil investindo no exterior, etc… mas vou falar sobre isso em um outro post.


   Para finalizar quando estiver próximo dos meus 80 anos afrouxo novamente o cinto e paro de me preocupar com inflação, aportes e reinvestimentos deixando o patrimônio “envelhecer” junto comigo. Imagino que terei um valor suficiente para cobrir meus gastos com um bom plano de saúde e cuidados que todo o idoso sem filhos necessita. Devo ainda ter condições de deixar uma renda e patrimônio suficientes para minha companheira também levar uma vida confortável até o dia de partir.


   Enfim esses são meus planos de como pretendo gastar ao longo da vida pós-IF, não sei oque me espera pela frente porém na minha idade já descobri que planos foram feitos para darem errado, mas planejar e sonhar não custa nada.


Sr. IF365

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