Como pretendo gastar meu patrimônio após a IF… (Parte I)

   Faltando pouco mais de um ano para deixar meu emprego começo a fazer o planejamento de como irei gerenciar a utilização do meu patrimônio acumulado, em outras palavras como irei gastá-lo. Pode parecer que essa é parte mais fácil de toda a jornada em busca da independência financeira e aposentadoria antecipada, porém já começo a perceber que a coisa não é tão simples quanto parece, ao refletir sobre o assunto cheguei a conclusão que terei dois desafios pela frente.





   O primeiro é o mais óbvio, tenho que gastar meu patrimônio de forma consciente para que no fim da vida não passe necessidade, esse é com certeza o maior de todos os desafios e irá exigir tanta disciplina, planejamento e acompanhamento da mesma forma que tudo que foi feito até o momento. Já o segundo desafio pode não ser tão óbvio mas também é de suma importância para quem quer desfrutar da aposentadoria antecipada, me refiro ao processo de “desfrugalização” que terei de passar após começar a viver a IF. São dois assuntos complexos e por isso irei dividir esse post em duas partes, sendo a primeira a respeito do desafio da “desfrugalização”.


   Quando me refiro à “desfrugalização” não estou falando em simplesmente passar a gastar e comprar tudo que vejo pela frente com o objetivo de tirar o atraso por conta de tudo que tive que passar até hoje. Na verdade a frugalidade para mim nunca exigiu grande esforço, sou um péssimo exemplo para a comunidade FIRE pois quando o salário entra todo mês eu não separo logo de cara um valor a ser investido e depois gasto o resto, oque eu faço é primeiro gastar e invisto o quanto sobrar no final do mês. Talvez isso seja possível pelo fato de eu não ter muitos gastos fixos e por sempre ter tido um salário bom desde o começo da carreira, como não faço questão de viver com muitos luxos a frugalidade acaba acontecendo de maneira natural.


   Porém notei que nos últimos anos conforme minha saúde foi debilitando e a insatisfação com o trabalho cresceu comecei a ter um comportamento mais frugal para acelerar ao máximo a conquista da IF, já comentei anteriormente como cortei algumas viagens de férias, gastos com restaurantes e até celular novo eu deixei de comprar (coisa que quem me conhece acha difícil acreditar, sempre adorei tecnologia de ponta). Esse “aperto de cinto” tem o objetivo claro de dar um gás final ruma à IF, mas tenho que tomar o cuidado de não fazer disso um hábito e acabar virando um Tio Patinhas que não sabe aproveitar nada da conquista financeira por não conseguir gastar o dinheiro sem sofrer cada vez que coloca a mão no bolso. Pode parecer uma preocupação absurda mas sei que ela é bem real, tão trágico quanto desperdiçar uma vida trabalhando para ganhar dinheiro é desperdiçar a outra parte por medo de ficar sem dinheiro, já vendi os melhores anos da minha vida em troca de um salário e me recuso a jogar a outra metade fora por não conseguir me “desfrugalizar”.


   Acredito que dois fatores irão dificultar a minha “desfrugalização”, o hábito de economizar que eu adquiri ao longo desses anos e o fato de não ver mais um salário “gordo” entrando todo mês na conta. Para se livrar de um hábito basta dar tempo ao tempo e estar consciente que ele esse hábito deve ser combatido, já o desconforto de não ver mais o salário pingando todo mês na conta vai exigir um pouco mais de esforço da minha parte para superar, preciso persuadir eu mesmo a acreditar que a renda passiva pode ser utilizada sem medo e que não existe mais a necessidade de acumular patrimônio, me convencer que já cheguei lá e é hora de relaxar, em fim acreditar nas projeções e nas planilhas. Imagino que os primeiros meses após largar o emprego serão estranhos, mas conforme a nova vida for tomando forma e a renda passiva mostrar-se suficiente para cobrir os meus gastos (e ainda sobrar um tanto para ser reinvestido a ponto de superar a minha inflação pessoal) tenho certeza que irie relaxar e aproveitar a IF de forma mais plena.


   Não faço a menor ideia de quanto tempo o processo de “desfrugalização” irá durar, mas tenho certeza de que ele estará diretamente relacionado ao meu segundo medo que é o de o dinheiro não ser suficiente para me manter até o fim da vida. Para garantir que tudo dê certo será necessário um planejamento de como gastarei e reinvestirei meu patrimônio de forma que ele se mantenha frente à inflação e se proteja de imprevistos que possam corroe-lo a ponto de me forçar a ter que voltar ao mercado de trabalho escravo para complementar a renda, mas isso eu deixo para a segunda parte do meu post…


Sr. IF365

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