Eu me demito…

   Alguns leitores irão achar que estou sem assunto e inventei essa história para encher linguiça no blog, mas é a mais pura verdade para quem quiser acreditar. Lembra daquela promoção que eu comentei ter recebido a alguns meses atrás? Aquela mesma que estava me tirando o sono e tranquilidade mas que iria me pagar R$3.400 a mais por mês, pois bem ontem depois de um desentendimento interno meu sangue FIRE ferveu pela primeira vez e eu simplesmente me demiti daquela função adicional. O supervisor encheu tanto a minha paciência após uma avaliação que enquanto ele falava os pensamentos FIRE começaram a fluir em minha mente da seguinte forma, “eu não estou aqui pra isso”, “eu não preciso desse dinheiro extra”, “eles precisam do meu trabalho e mesmo assim ficam me enchendo o saco?”, “esse imbecil que está aqui na minha frente deve ter tanta conta para pagar que precisa ficar mostrando serviço as minha custas”… quer sabe? “Não se incomode em mandar esse relatório a meu respeito para a minha chefia porque eu me demito dessa função” Foram essas as minha palavras para surpresa do supervisor.





   Seguiu-se um momento de silêncio não só em minha mente como também na sala, ele me perguntou se eu estava fazendo aquilo por causa dele, minha resposta foi que aquela nossa conversa era sim a gota d’agua em um mar de outras coisas que não estavam me agradando. Mantive o respeito e a cordialidade porém a partir daquele momento ele perdeu completamente qualquer poder que tinha sobre mim, confesso que tentei manter a frieza mas a verdade é que provavelmente minha voz estava trêmula. Eu acabava de abrir mão de uma função em que a empresa teve que investir tempo e dinheiro para me colocar lá e isso não iria ficar assim, teria com certeza que dar explicações para a minha chefia direta (quem faz as avaliações é outro departamento).


   A verdade é que deixei a sala com um sentimento estranho de “que m*rd@ eu fiz?” misturado com a satisfação de finalmente ter tomado a minha primeira decisão baseada no meus conceitos de FIRE. Chegando em casa a primeira coisa que fiz foi ligar para a mulher e marcar um encontro para irmos comemorar, ela perguntou comemorar oque e eu estraguei a “surpresa” pois não consegui me conter, precisava extravasar (sei que a história ficaria melhor se eu dissesse que era uma surpresa, mas não foi assim que aconteceu). A segunda coisa que fiz foi escrever um e-mail para meu chefe comunicando a decisão, não entrei em detalhes e aleguei motivos pessoais além de reiterar como tinha sido um privilégio trabalhar com ele (preciso tê-lo ao meu lado nesse momento). Apertei o “SEND” para enviar a mensagem e em 20 segundos o telefone tocou, não era meu chefe mas um dos assistentes que por coincidência é brasileiro. Ele queria saber extra-oficialmente oque tinha acontecido, tentei minimizar o assunto não “apontando dedos” pois o mesmo supervisor já tem a fama de ser encrenqueiro e não é preciso que eu explique para ele de onde vem o problema, ele insistiu mais um pouco mas eu preferi tratar disso oficialmente.


   Na mesma noite saí com a mulher para uma pequena comemoração regada à cerveja, não falei muito sobre o assunto e nem ela deu a sua real opinião sobre a decisão que eu havia tomado, acho que ela não entende o suficiente sobre o assunto ou está com medo do meu radicalismo e suas consequências. Seja como for no meio da noite eu me toquei que nunca tinha celebrado aquela promoção mas agora estava celebrando a “des-promoção”, coisas bizarras que só a busca pela independência financeira pode proporcionar. Seja como for no final do noite fui dormir com uma das maiores enxaquecas que já tive na vida, não sei se foi a cerveja ou o stress daquele dia, a verdade é que dormi mal e acordei cedo sabendo que algo iria rolar hoje.
Nesse exato momento estou sentando no meu sofá escrevendo esse post, o expediente do escritório acabou de começar e não deu outra, minutos atrás recebi uma ligação do assistente do meu superior pedindo para eu comparecer meio dia na chefia, não espera que fosse diferente mas não sei exatamente qual será o resultado da conversa, seja como for eu não volto para aquela função nem com uma arma apontada para minha cabeça. Sou um zé-ninguém em uma empresa com dezenas de milhares de pessoas mas que de certa forma pouca gente está habilitada a fazer oque eu faço (leva quase uma década para formar um piloto de linha aérea), isso só já deveria servir para que fossemos tratados com um pouco mais de consideração, mas mesmo assim situações como essas continuam acontecendo e a maioria aceita porque depende do emprego. Um amigo passou recentemente pelo mesmo “constrangimento” e encheção de saco porém não tomou uma decisão igual a minha porque tem a parcela da casa em Miami para pagar, acho que cada um tem suas prioridades mas conforme vou explicar para meu chefe hoje, eu nunca mais aceito ser colocado naquela situação e para isso me demito da função.

***Vou parar de escrever agora e meio dia vou lá… conto logo abaixo oque aconteceu.***

  VOLTEI! Reunião de mais ou menos 40 minutos onde simplesmente recusaram meu pedido de demissão, querem que eu pense por mais uma semana antes de dar uma resposta definitiva. A conversa seguiu um caminho estranho pois jogaram nas minhas costas frases pesadas como “não esperávamos que você desistisse tão facilmente”, “a empresa fez investimentos importantes em você e seria uma pena caso desistisse agora” e finalmente “não queremos que você olhe para trás daqui a 4 anos e se arrependa dessa decisão”(nem suspeitam que vou pedir demissão de forma definitiva daqui um ano). Tentaram por vezes que eu jogasse “m*rd@ no ventilador” e culpasse o avaliador pela situação mas eu recuso a me prestar a isso, é briga de cachorro grande e tudo que eu quero é paz. Para não parecer intransigente concordei em pensar por uma semana, tempo mais que suficiente para escrever um e-mail inteligente ressaltando o quanto estou chateado com a decisão porém o martelo está batido.


   Vida FIRE não é fácil, poder tomar decisões baseadas em seus interesses em sem medo de “magoar” a empresa pode parecer um sonho, mas confesso que conseguiram deixar o gosto amargo da culpa na minha boca. Não sei se pintei um alvo nas minhas costas e possa sofrer retaliação futuras pela minha decisão mas o objetivo está traçado, espero pelo menos poder continuar trabalhando aqui pelos próximos 373 dias que faltam para minha aposentadoria antecipada, pode ser que ao longo desse ano alguma outra coisa aconteça e meus pensamentos FIRE voltem a borbulhar meu sangue com frases do tipo “eu não estou aqui pra isso”, “eu não preciso desse dinheiro extra”, “eles precisam do meu trabalho e mesmo assim ficam me enchendo o saco”, “esse imbecil que está aqui na minha frente deve ter tanta conta para pagar que precisa ficar mostrando serviço as minha custas” e eu acabe tomando outra decisão radical de largar de vez esse lugar… esperamos que não. Resumiria o dia de hoje como "o começo do fim".


Sr.IF365

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