Ganhar a vida ou a morte trabalhando?

   Depois do post do AA40 no blog dele sobre o livro "SEU DINHEIRO OU SUA VIDA" - A BÍBLIA DO MOVIMENTO FIRE, tomei vergonha na cara e comecei a ler essa que talvez seja realmente a maior referência sobre o movimento e estilo de vida FIRE moderno, confesso que parei de ler o post no meio porque não queria estragar o livro, mas assim que terminar deixarei minhas impressões sobre a leitura no blog dele. Ainda estou no começo mas logo de cara uma parte do livro me chamou tanta a atenção que gostaria de compartilhar com meus leitores em forma de tradução livre juntamente com a minha opinião sobre esse trecho do livro.





   “Nós não estamos ganhando a vida, na verdade estamos ganhando a morte”, é assim que essa parte do livro foi intitulada, me perdoe a tradução grosseira mas o autor do livro faz referência à frase “ganhar a vida” no sentido de trabalho, igual quando alguém quer puxar conversa e pergunta “como você ganha a vida?”. Essa talvez seja uma maneira meio fora de moda para perguntar em que alguém trabalha mas no original em inglês “how do you make a living?” soa mais apropriado, de qualquer maneira caso alguém lhe pergunta “como você ganha a vida” talvez responda que ganha a vida ficando 9 horas por dia trancado em um escritório, um hospital, aeroporto, etc… mas será que isso é realmente ganhar a vida?


   Imagine um trabalhador comum que mora em uma cidade grande. O despertador toca às 6:45 da manhã e começa a correria. Banho. Vestir o uniforme profissional, seja ele um jaleco branco, terno ou jeans. Café da manhã, se sobrar tempo. Junta as tralhas e parte para o trabalho. Entra no carro ou ônibus para a tortura diária no trânsito. Chegando ao trabalho tem que lidar com o chefe, colegas de profissão difíceis, fornecedores incompetentes, clientes mal educados… tem as vezes que fingir que esta super ocupado, esconder seus erros, sorrir quando o chefe lhe delega aquela tarefa com prazo impossível de cumprir, fica aliviado quando passam o “facão” no seu departamento e você se safou mais uma vez, a cada minuto que passa mais e mais tarefas são jogadas nas suas costas. Você olha no relógio o dia todo esperando o final do expediente, discorda constantemente da sua consciência mas concorda com seu chefe. Sorri novamente. Finalmente são 17h, entra no carro ou ônibus e novamente a mesma tortura no trânsito para voltar. Ao chegar em casa é hora de agir como “gente” diante da família e fingir que está tudo bem, o famoso separar a vida profissional da vida pessoal. Jantar. Assiste TV. E finalmente se joga na cama para oito horas de descanso onde finalmente se você tiver sorte irá desligar seu cérebro de tudo isso.


   E ainda chamam isso de “ganhar a vida”?!?! Pense comigo, quantas pessoas você conhece que após um dia de trabalho chegam em casa mais “vivas” doque quando saíram para trabalhar? Será que voltamos para casa depois da nossa atividade para “ganhar a vida” realmente mais vivos? Me parece que para a absoluta maioria de nós a verdade é que estamos “ganhando a morte” e não “ganhando a vida”. Estamos matando nossa saúde, nossas relações pessoais, nossa satisfação e alegria de viver… e tudo por causa de um emprego? Sacrificamos nossa vida por dinheiro e quase não notamos porque a morte acontece lentamente. Quando nos damos conta a vida se tornou um cemitério com lápides que sinalizam o nosso “progresso” tais como um escritório maior, uma secretária particular, um carro da empresa e salários rechonchudos. Chega uma hora que conquistamos tudo que sonhávamos mas a inércia e dependência do dinheiro nos mantém acorrentados a essa vida e ao emprego que odiamos. Todos os sonhos que tínhamos no começo de nossas vidas desaparecem no meio de tanta politicagem, cansaço, tédio e competições no trabalho.


   Mesmo aqueles que ao contrário de mim ainda amam suas profissões sabem que existe algo mais “fora da matrix”. Já s muito tempo eu já descobri que não estou “ganhando a vida” e sim “ganhando a morte”, vendendo o meu pouco tempo que tenho sobre esse planeta para que outras pessoas possam enriquecer as minhas custas e consequentemente tenham mais tempo de viverem suas própria vidas, é quase como se eu tivesse transferido mais de 20 e poucos anos da minha vida para a “conta” de outra pessoa (meu patrão) para que ele possa desfrutar desse tempo. Parece um pouco radical pensar assim… mas é como eu me sinto.


   Estou longe de terminar o livro mas já deu para perceber o porque ele é considerado a bíblia do movimento FIRE, realmente uma leitura imperdível para quem está trilhando o caminho da independência financeira.

Sr. IF365