O barco está afundando… salve-se quem puder!

   Conforme o mercado de renda variável derrete e os Títulos Públicos pré-fixados despencam por conta da expectativa na elevação dos juros, vejo meu patrimônio encolher de forma significativa e até diria assustadora uma vez que nunca antes na minha vida tive tanto dinheiro investido em renda variável. Confesso que não é fácil “perder” mais de R$120 mil em um único mês e ainda manter a fé que tudo dará certo, mesmo olhando para o longo prazo minhas projeções são sempre afetadas por quedas bruscas como a que está se desenhando para esse mês. Mas então como navegar por esse mar de incertezas sem se desesperar?





   A solução no meu caso não poderia ser mais simples, agarro com todas as forças na “bóia salva-vidas da renda passiva”, é ela que me permitirá sobreviver ao mar revolto pelo qual o país navega. Em vez de ficar focando na queda brutal do patrimônio concentro toda a minha atenção na renda passiva, esse mês em especial a minha renda passiva disparou por conta dos dividendos pagos pela TAESA, oque me deu um verdadeiro ânimo financeiro mesmo após ter perdido as esperanças que o patrimônio irá se recuperar até fechamento deste mês.


   Gerar renda passiva virou minha obsessão desde que comecei a transição da fase de acumulação patrimonial para a fase de usufruir do patrimônio, antigamente só investia em ativos de crescimento como ações e títulos que não pagassem cupons, mas conforme tracei planos concretos de aposentadoria antecipa não só migrei os investimentos para ativos geradores de renda passiva, mas também todos os novos aportes foram realizados apenas em ativos que também fossem geradores de renda passiva priorizando aqueles que oferecem pagamentos regulares de dividendos ou cupons (FIIs e Tesouro IPCA+ Cupons).






   Para quem não tem planos concretos de FIRE, ou ainda está na fase de acumulação patrimonial o foco na renda passiva pode não ser a estratégia mais recomendada uma vez que, ao receber cupons e dividendos (com excessão dos FIIs que são isentos) você acaba antecipando o pagamento de impostos ao invés de deixar esse montante que foi para as mãos do governo crescer sob o efeito dos juros compostos. Por isso enfrentar essa turbulência talvez seja uma tarefa bem mais difícil sem poder contar com a “bóia salva-vidas da renda passiva”, o importante nesse caso é não se desesperar e acabar tomando decisões que irão causar perdas ainda maiores.


   Como investidor de fundos imobiliários e vendo minha carteira encolher quase 10% em setores como os de lajes e agências bancárias procuro também me consolar no fato de que a queda no valor das cotas não necessariamente reflete a perda de valor dos imóveis contidos nelas, faço um paralelo com a minha casa que está à venda desde que o inquilino a desocupou (e que por coincidência foi no auge da última crise), as poucas ofertas de compra que recebi foram bem abaixo do real valor do imóvel e nem por isso me desesperei achando que meu imóvel tinha perdido valor. Caso eu realmente vendesse por um preço mais baixo aí sim seria possível dizer que de alguma forma o imóvel tinha perdido valor e consequentemente ficado no prejuízo. A mesma coisa acontece com as cotas dos FIIs, nesse momento de turbulência e expectativa de retomada da inflação os investidores tendem a optar por ativos menos voláteis arrastando o valor das cotas para baixo mas não necessariamente o valor dos imóveis também caiu. Esse é o grande “pulo do gato” onde pretendo continuar comprando novas cotas e agora por preços mais módicos.


   Enfim, finanças pessoais acaba como sempre sendo mais psicologia do que matemática, precisamos ser fortes mentalmente para nos mantermos alinhados com os planos traçados nos momentos de bonança e acreditar na estratégia de longo e médio prazo para atravessarmos com tranquilidade os momentos de turbulência. Estou me agarrando fortemente à “bóia salva-vidas da renda passiva” esperando o sol voltar a brilhar, ela é quem irá me manter vivo até esse dia chegar.


Sr. IF365

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