Eu era feliz e não sabia…

   Esses dias um ex-colega de trabalho compartilhou algumas fotos do nosso antigo emprego em uma empresa que já faliu. Ao ver aquelas fotos eu pensei comigo mesmo “eu era feliz e não sabia”, porém ao refletir um pouco mais me lembrei de todos os problemas que enfrentava naquela época e como é fácil esquecer das coisas ruins e lembrar somente das coisas boas depois que o tempo curou as mágoas do passado. Isso não vale somente para um antigo emprego mas também para relacionamentos ou situações adversas que passamos durante nossas vidas, temos uma enorme tendência de lembrar somente das coisas boas e esquecer as ruins.





   Quem é que não relembra os tempos de escola e comparando com a rotina atual de trabalho pensa “eu era feliz e não sabia”? Porém esquece daquela rotina maçante de acordar cedo todas as manhãs, passar o dia assistindo aulas pouco interessantes e ainda por cima quando finalmente era hora de ir para casa levávamos uma pilha de tarefas que nos tomava o restante do dia, sem contar os trabalhos de casa que na época exigiam ir até uma biblioteca fazer a pesquisa necessária antes de gastar horas redigindo textos copiados de diversos livros. Não satisfeito você ainda tinha a opção de estudar um pouco todos os dias para as provas mensais e bimestrais ou então deixar para estudar tudo de uma vez poucos dias antes da “semana de provas”. E agora? Será que depois de tudo isso você realmente era “feliz e não sabia”?

   E o que tudo isso tem a ver com independência financeira SrIF365? Para quem leu meu post sobre os quadrantes da IF sabe que existe uma tendência de que um tempo após se atingir a independência financeira sermos tentados a voltar ao primeiro quadrante e possivelmente ao nosso antigo emprego, talvez no meio do “tédio" da IF e aposentadoria antecipada lembraremos apenas das coisas boas de quando trabalhávamos tais como o salário gordo no final do mês, o prazer de ser produtivo, a vida social dentro do ambiente de trabalho e principalmente o senso de importância que um cargo de destaque dentro na empresa nos trazia. E assim como no tempo de escola esquecemos de todo sofrimento, stress e desconforto que aquele trabalho maçante nos proporcionava.

   Para combater essa síndrome do “eu era feliz e não sabia” pretendo manter vivo em minha mente os dias sombrios que ando passando nos último tempos, a princípio iria criar um diário desse último ano antes da IF mas seria redundante ao que faço aqui no blog, talvez em um diário eu poderia ir mais a fundo nas emoções mas ultimamente tenho sido extremamente transparente em tudo que escrevo, praticamente não escondendo nada de você meu caro leitor. Eu sabia que esse último ano antes da IF seria difícil mas não espera que fosse tanto assim, faço questão de registrar aqui cada dificuldade para que no futuro possa olhar para trás e sentir gratidão pelo que estarei vivendo naquele momento.


SrIF365