O dinheiro não muda ninguém… será mesmo?

   Segundo os “especialistas” em FIRE (Independência Financeira e Aposentadoria Antecipada) o dinheiro não muda ninguém e sim apenas exacerba o que a pessoa já é por dentro. Confesso que a frase acima tem me tirado o sono ultimamente, principalmente com relação ao tipo de profissional que sempre fui. Com pouco mais de 23 anos de carreira estou surpreso e assustado com as minhas mais recentes atitudes conforme a IF se aproxima.





   Sempre fui do tipo que “engole sapo” dos superiores sem questionar, aprendi logo cedo que não é possível vencer um argumento com o chefe. Quando ainda jovem tive meu primeiro bate boca com meu superior ao ponto de sair da sala dele achando que seria demitido, na verdade não fui porém dentro daquela empresa minhas possibilidades de crescimento viraram pó, um ano depois essa mesma empresa faliu e tudo aquilo nunca fez diferença na minha vida. Mas duas lições importantes eu aprendi naquele dia, a de que por mais que você possa estar certo o chefe sempre terá razão, então argumentar é inútil. A segunda lição foi basicamente perceber o meu desconforto com o medo de perder o emprego naquela tarde, na época tinha uns 20 anos e morava com os pais mas mesmo assim tinha o financiamento de uma S10 zero e de um apartamento para pagar. Nunca vou esquecer como entrei em casa “possesso” dizendo para os meus pais que iria vender o apartamento (ainda na planta) assim que possível pois não queria ser escravo de ninguém. Acabei não perdendo o emprego e nem vendendo o apartamento, porém o gosto ruim de não poder arcar com a prestação de um financiamento por conta da possibilidade de perder o emprego me acompanha até hoje e é com certeza a grande responsável por eu não assumir qualquer tipo de dívida nunca mais na minha vida.

   Mas o assunto do post é outro, como ia dizendo ando assustado com algumas mudanças de comportamento nessa reta final rumo à IF, já relatei AQUI como me “demití” de uma promoção recém recebida por desentendimento com um superior, me custou não só dinheiro mas também a minha imagem nessa atual empresa, dentro dela não posso esperar mais nada depois do ocorrido. Mas aqui praticamente cheguei onde queria, e na verdade o único lugar que eu gostaria de estar é bem longe!rs Só que outro dia fiz algo que além de não me orgulhar veio contra a imagem de bom profissional que eu sempre tive de mim mesmo, decidi não ir trabalhar e “ficar doente”. Estava cansado, sem dormir na noite anterior e por causa de uma mudança na programação eu teria que ir trabalhar sem descanso adequado, e para piorar o destino era um lixo. Juro nunca ter fingido uma doença para faltar ao trabalho, mas o sangue FIRE falou mais alto novamente e eu decidi que não iria e ponto, como não posso simplesmente dizer que não vou pois estou cansado fui vou ao médico reclamar de dor de barriga.

   Será que esse sou eu na minha mais pura essência? Um péssimo profissional descompromissado com a empresa ou simplesmente cheguei ao meu limite? Confesso tudo isso à você meu caro leitor com muita vergonha, o dia que inventei a doença não consegui relaxar, fui tomando pela culpa e pelo peso na consciência de quem fez algo errado. Sei que foi errado, anti-ético e nada profissional, isso eu não discuto mas não paro de me perguntar se esse sou realmente eu ou simplesmente a carcaça de alguém que não aguenta mais empurrar com a barriga uma vida que eu odeio, em um emprego que abomino, numa empresa que desdenho? Juro que não sei a resposta mas torço para que essa não seja realmente a minha essência.

   Talvez o certo seria eu pedir demissão hoje mesmo, porém a própria empresa me amarrou até o começo do próximo ano através de contratos mirabolantes onde terei que pagar pelo treinamento recebido caso peça demissão antes de 2019, coisa ilegal no Brasil mas que aqui fora é muito comum. Não estou disposto a arcar com esse prejuízo e para isso vou usar meu último “fôlego” e me arrastar até a linha de chegada. Confesso que as coisas não andam bem, talvez seja exagero e paranóia minha por eu sempre ter andando na linha e de cabeça baixa mas não ficaria surpreso se antes dos meus planos eu for convidado a me retirar… e sabe o que é pior? Sinto um alívio enorme só de imaginar isso acontecendo de verdade, não vou procurar “sarna para me coçar” pedindo demissão antes de atingir meu objetivo de IF mas também não me incomodaria de deixar esse lugar hoje mesmo.


SrIF365

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