Os quadrantes da Independência Financeira…

      Conforme a independência financeira e aposentadoria antecipada se aproxima eu não consigo parar de ter aquele sentimento de que a linha de chegada está próxima e ao cruza-la meus objetivos de vida estarão atingidos. Mas será mesmo? Não seria a conquista da IF a linha de partida para uma “corrida” ainda maior? Essa semana ouvi um conceito bem interessante onde a Vicki Robin (autora do livro Dinheiro e Vida) divide a independência financeira em quadrantes, cada um com suas peculiaridades e diferentemente de uma linha do tempo existe a possibilidade de pular de um quadrante para outro dependendo dos seus objetivos de vida naquele momento.





   O primeiro quadrante é onde a maioria da comunidade FIRE se encontra (inclusive eu), ele é formado pela nossa não aceitação da condição atual onde trabalhamos em empregos que detestamos para comprar coisas que não precisamos. Nos submetemos as piores condições não só de trabalho mas também de qualidade de vida visando um dia atingir a independência financeira e finalmente deixar a “corrida dos ratos”. Ou seja, engloba tudo que fazemos para deixar esse quadrante e pular para outro.

   O segundo quadrante é aquele onde a pessoa atingiu a independência financeira e agora tem todo o tempo do mundo para se dedicar às atividades que realmente lhe trazer prazer. Nesse quadrante é comum nos envolvermos nos mais diversos hobbies, viagens, esportes, etc… Imagino que seja pura adrenalina ter todo tempo do mundo nas mãos e poder finalmente dedica-lo às verdadeiras paixões e interesses pessoais. Mas assim como toda paixão ou “adrenaline rush” é inevitável que a pessoa fique cansada dessa vida e aquilo que antes despertava novas emoções passe a virar rotina e a vida seja tomada pelo tédio. Nesse momento segundo a Vicki é muito comum a pessoa retornar ao primeiro quadrante em busca de um novo sentido para a vida através do trabalho. Isso de deve ao fato de que a maioria de nós associamos a profissão à nossa identidade pessoal, em outras palavras ninguém diz “eu estou médico” e sim “eu sou médico” por exemplo, ao deixar de exercer a atividade na medicina parece que a pessoa perdeu sua identidade e parou de existir. O grande problema em retornar ao quadrante anterior é que a pessoa irá perder uma enorme oportunidade de desenvolver todo seu potencial através do que acontece no terceiro quadrante.

   No terceiro quadrante (caso a pessoa não tenha retornado para o primeiro) é aquele onde por estarmos cansados e entediados devido a rotina de assuntos do nosso próprio interesse buscamos novas emoções no campo da “arte de servir ao próximo”, ou seja através de atividades que irão ajudar o próximo. Deixamos o “egoísmo” de lado e passamos a apreciar trabalhos voluntários, filantropia, projetos para melhorar a comunidade, etc… tudo isso usando o bem mais valioso que você dispõe, seu tempo livre. Quantas pessoas não gostariam de estar mais engajadas em trabalhos voluntários ou mesmo em projetos para ajudar sua comunidade local mas não dispõe de tempo ou energia para isso depois de uma árdua semana de trabalho? Pois ao entrar nesse quadrante não só você poderá fazer tudo isso mas sentirá uma enorme necessidade e prazer ao faze-lo.

    O último quadrante é aquele onde a pessoa olha para trás e faz um balanço da sua vida. Avalia se tudo isso valeu (ou mesmo está valendo) a pena. Será que tanto trabalho no primeiro quadrante valeu o esforço? E os seus hobbies do segundo quadrante foram um desperdício de tempo? Como foi a sensação de ajudar ao próximo no terceiro quadrante? Esse é com certeza um quadrante subjetivo e bem pouco palpável, só consigo imagina-lo perto do fim dos meus dias. Na verdade preciso parar e refletir mais sobre ele.

   Achei todo esse conceito de quadrantes interessante e bem representativo doque a busca pela IF pode ser, me chamou muito a atenção o alerta que ela faz sobre a tentação que é voltar ao primeiro quadrante e não desenvolver seu total potencial ao atingir a IF. Vejo como inevitável me dedicar às atividades que me trazem prazer (ao mesmo até recuperar da minha saúde física e mental), mas com certeza me engajar em atividades como voluntário já está nos meus planos pós IF.


Sr. IF365

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