Imóvel, prejuízo sem fim…

   E se eu dissesse que iria investir a maior parte meu patrimônio em uma única ação da bolsa brasileira? Tudo com a promessa que essa ação irá valorizar, pagar bons dividendos e é absolutamente segura. Tenho certeza que irão me chamar de louco, inconsequente, irresponsável ou suicida. Porém se eu disser que irei investir a maior parte do meu patrimônio em um imóvel provavelmente irei receber os parabéns pelo ótimo investimento! Afinal imóvel só valoriza, é um ativo sólido, seguro e viver de aluguel é sinônimo de uma boa renda passiva para o resto da vida.





   Pois é meus amigos, acho que não fui e nem serei o único a ter 80%, 90% ou 100% do patrimônio imobilizado em um imóvel o qual acreditamos ser um investimento sólido e promissor, porém esquecemos que essa concentração absurda em um único ativo é tão arriscada quanto investir em um único ativo da bolsa de valores. Mesmo assim a maioria de nós não pensa duas vezes em “rapar” todos os investimentos para comprar aquele imóvel por um preço imperdível pois será uma mina de ouro quando for alugado, fonte segura e inesgotável de renda passiva. Não sei se é cultural ou apenas ingenuidade mas o brasileiro vê imóveis como o “Santo Graal” dos investimentos seguros,  enquanto vê ações como o lugar mais arriscado que se possa aplicar seu suado dinheirinho.

   No começo da minha jornada ruma à IF já tive sim praticamente 100% do meu patrimônio “investido” em um único imóvel, foi quando usei todos os meus outros investimentos para quitar o financiamento da casa antes de deixar o país, naquela época achei que seria uma jogada de mestre manter o imóvel e usar a renda passiva do aluguel para refazer minhas reservas, porém a realidade se mostrou bem diferente. Se tivesse conseguido vender a casa naquela época teria aproveitado as elevadíssimas taxas de juros que o Tesouro IPCA estava pagando, poderia ter comprado FIIs antes da subida historia dos últimos anos ou mesmo simplesmente não teria tido todo esse prejuízo do imóvel encalhado por quase um ano sem inquilino.

   Mas Sr.IF365, porque tanta reclamação quanto ao imóvel se alguns posts atrás você disse que finalmente tinha conseguido aluga-lo? Então, depois de tudo assinado e feliz por ter me livrado das contas de IPTU e condomínio já para esse mês julho (como tinha descrito neste post AQUI), a coisa azedou…Basicamente oque aconteceu é que a luz que tinha sido desligada junto à empresa de energia quando da saída do último inquilino está me dando dor de cabeça para ser religada, tudo porque quando terminei a obra não solicitei uma ligação definitiva. Agora para religar a energia a fornecedora exige todo um processo de vistoria, descrição do projeto elétrico e outras burocracias que estão rolando a quase um mês e não consigo resolver. Entre contratação de engenheiro, troca de cabos, disjuntores e certidões, terei que arcar com aproximadamente mil reais de prejuízo antes que o inquilino possa ocupar o imóvel, dessa forma será mais um mês de prejuízo e ainda corro o risco do inquilino desistir do imóvel devido a demora.

   Ao lembrar que todo esse dinheiro poderia estar pulverizado entre mais de 30 FIIs e rendendo mais que o dobro do aluguel que receberei sem ter que ficar me preocupando com o tipo de coisa que descrevi a cima, meu desprezo por esse tipo de “investimento” só aumenta. A verdade é que “renda passiva de aluguel" de passiva não tem absolutamente nada! Sei que existe o agravante de que estou tentando gerenciar tudo isso à dez mil quilômetros de distância, porém mesmo assim o stress, falta de diversificação e o pífio rendimento líquido que esse tipo de investimento está me proporcionando me fez colocar aplicações em imóveis no topo da lista de coisas que nunca mais irei fazer na vida.



Sr.IF365

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