Empresa não é família…

   Ao ler o penúltimo post do Samurai Financeiro  em seu blog onde ele fala sobre as dificuldades de lidar com a possibilidade de ser demitido do atual emprego me lembrei de um velho ensinamento do meu pai, na época eu era jovem e já tinha ingressado na corrida dos ratos. A empresa onde eu trabalhava estava à beira da falência e atrasando o pagamento dos salários mês após mês, mesmo assim eu insistia em ir trabalhar achando que no futuro seria recompensado pela minha lealdade para com aquela organização. Para piorar, toda semana a diretoria fazia reuniões com os empregados que ainda não tinham pedido demissão para dizer que éramos uma família e que tudo não só se resolveria, como também quem acreditasse nela iria colher os frutos da decisão de não abandonar o barco naquele momento difícil. Foi então que meu pai veio com uma frase que carrego comigo até os dias de hoje, “empresa não é família, família não coloca na rua um de seus membros em tempos de crise”. Já imaginou um pai perder o emprego e ter que colocar um dos seus dois filhos para fora de casa a fim de cortar gastos? Não é assim que uma família funciona, provavelmente cada migalha de pão seria dividida igualmente entre todos os membros dessa família até não sobrar nada para comer, já uma empresa quando enfrenta uma crise o que ela faz? Corta sem dó o número necessário de “filhos” para poder garantir sua sobrevivência. Já em tempos de bonança querem que cada funcionário sinta-se como um membro da família, oque obviamente pressupõe lealdade e obediência.





   No meu caso não deu outra, a crise se agravou e a empresa colocou centenas de funcionários na rua para no final (como tantas outras empresas aéreas) acabar falindo e deixando todos os leais e obedientes funcionários “a ver navios”, nunca pagou os salários atrasados e mais tarde descobrimos que nem o FGTS foi recolhido corretamente… me senti traído, depois de tanta dedicação e lealdade era assim que tudo iria acabar? Apesar do meu sentimento de traição a verdade é que o grande responsável por tamanha decepção era eu mesmo, não havia aprendido ainda que empresa não é família (e muito menos time de futebol para se “vestir a camisa”). Depois que aceitei essa realidade as expectativas para com meus empregadores atingiram um nível que chamaria de puramente profissional. Estou lá para trabalhar e receber em troca dinheiro, o dia que não for mais necessário para e empresa ou eu achar que a remuneração paga por ela não compensa mais meu vínculo empregatício será desfeito. Não é nada pessoal, apenas negócios…


   Empresas são criadas para gerarem lucros aos seus donos (ou acionistas) e não para sustentarem funcionários, na verdade os trabalhadores são um mal necessário para os patrões, esses por sua vez sonham em um dia poderem substituir todos nós por robôs capazes de trabalhar sem a necessidade de vale refeição, férias ou plano de saúde. Ainda estamos distantes desse futuro negro para a classe trabalhadora e até lá a luta entre patrões que tentam extrair o máximo de produtividade dos empregados e os trabalhadores que tentam obter o máximo de rendimento dos patrões trabalhando o menos possível irá continuar.


   Uma outra filosofia de vida que adotei para suportar a vida de assalariado é a de “nunca trabalhar em um emprego no qual não esteja disposto a ser demitido”, não existe nada pior doque ir trabalhar com medo de ser demitido. Vejo muito isso no meu círculo de amizades, um grande número de conhecidos simplesmente tem pavor de perder o emprego por estarem financeiramente comprometidos com dívidas ou mesmo com estilo de vida escolhido. Para essas pessoas perder o emprego seria uma tragédia comparada a perder a própria vida, isso torna a pressão e nível de stress do trabalho quase insuportáveis. Não é segredo para nenhum leitor do blog que eu odeio meu emprego, mas devido à minha posição financeira trabalho de forma tranquila a ponto de as vezes até querer ser demitido para adiantar de vez meus planos de FIRE!rs


   Enfim, a situação que nosso colega Samurai Financeiro passa não é agradável porém assimilando a ideia de que empresa não é família e estando disposto a ser demitido sabendo que não será o fim do mundo devido a segurança do patrimônio já acumulado tenho certeza que ele irá tirar de letra a possível transição para um novo emprego. E você? Já se tocou que empresa não é família e nem time de futebol? Evita de se colocar em uma posição onde perder o emprego seria o fim do mundo? Caso não tenha pensado nisso ainda, talvez fosse a hora de refletir sobre o assunto uma vez que dificilmente nos dias de hoje um profissional não irá passar por uma situação semelhante a do Samurai Financeiro.
(Você pode ler o post original dele AQUI.)



Sr.IF365

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