Joguei a toalha…

   Depois do meu último post alguns devem ter notado um certo silêncio no blog, e silêncio normalmente nunca é bom sinal, porém na verdade ainda não consegui decidir se é ou não um bom sinal. Gostaria muito que a minha trajetória rumo à IF fosse esse conto de fadas onde tudo é meticulosamente planejado e executado, planilhas, projeções, aportes, etc… tudo parte do “plano” perfeito me levando à linha de chegada e à vitória absoluta. Mas infelizmente a vida é oque acontece ao nosso redor enquanto fazemos planos, normalmente teimando em não seguir o script perfeito. E foi justamente isso que aconteceu comigo nas últimas semanas, ao retornar das férias eu planejava estar absolutamente pronto para enfrentar os últimos meses antes da aposentadoria antecipada, eu deveria me sentir motivado, cheio de energia e com um brilho nos olhos por contemplar a linha de chegada logo ali! Mas como alguns leitores notaram ao ler meus últimos posts não foi isso que aconteceu, eu simplesmente não consegui esconder a verdade.





   Já faz praticamente um mês que voltei ao trabalho depois da férias e desde então entrei em uma espiral descendente que me levou ao fundo do poço tanto mentalmente como fisicamente, depois de quase uma década sem me sentir bem fisicamente por conta de incontáveis altos e baixos notei que cada vez mais os baixos estão se tornando mais baixos e meus ciclos de pouco bem-estar que às vezes sinto estão cada vez mais curtos. Meu corpo parece que desistiu de sussurrar para me avisar de que algo está errado e agora literalmente passou a gritar em meu ouvido que não dá mais (meus ouvidos não param de zumbir sem razão aparente). Tentei contornar a situação intensificando minhas idas à academia só para mais uma vez meu corpo dizer “não, não e não”, meus músculos das costas simplesmente travaram a ponto de dificultar uma leve caminhada ao ar livre. Então a solução foi ficar de cama e tentar relaxar assistindo Netflix, mais uma vez meu corpo diz “não, não e não”, estou a duas semanas com dor de cabeça da hora que eu levando até a hora que vou dormir. Que tal afogar as mágoas em um jantar delicioso? “Não, não e não” diz meu corpo, sem razão aparente minha boca se encheu de aftas e a gastrite queima como se eu tivesse tomado um copo de gasolina e ateado fogo. Enfim, foi o fundo do poço como eu nunca vi antes. Todos esses sintomas eu já senti antes porém nunca tinha experimentado tudo de uma única vez… sei que é totalmente psicológico mas perdi o controle.


   Por mais que eu queira romantizar minha história aqui no blog e deixar o contador zerar para ir viver a “vida perfeita” pós-IF as circunstâncias me forçaram à jogar a toalha. No dia de hoje apresentei meu pedido de demissão e solicitei o início dos três meses de aviso prévio, isso jogará meu último dia de trabalho para o final de Janeiro onde eu ainda conto com um pequeno período de férias para ser usado como parte do aviso prévio. Ao enviar o e-mail informando meu pedido de demissão fui requisitado à apresentar uma carta pessoalmente explicando os motivos, farei isso depois de voltar da minha próxima programação mas estou na dúvida se alego motivos pessoas, de saúde ou mesmo digo que estou me aposentando do voo. Seja como for serão 3 meses de emoções intensas que inevitavelmente irão variar do “que bom eu tomei essa decisão!” à “oque foi que eu fui fazer?!?!”


   Como eu me sinto hoje? Na verdade acho que a ficha não caiu ainda, às vezes me sinto leve para logo depois extremamente preocupado com a logística da mudança e finalmente vem a sensação de que perdi a luta e joguei a toalha. O plano Bali começa a tomar forma porém não exatamente como o inicialmente planejado, talvez eu faça uma parada no Brasil ou Europa antes de me mudar para lá, mas isso é assunto para futuros posts. Por enquanto o contador encontra-se zerado e farei o ajuste quando receber a data definitiva do setor de RH da empresa, agora me dê licença que eu vou tentar colocar a cabeça no travesseiro para descansar um pouco antes de enfrentar mais uma madrugada de trabalho.


Sr.IF365

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