Quanto custou para conhecer a Islândia...

   Quando fechei as contas depois das férias e descobri o quanto havia gastado em poucos dias de viagem me bateu a dúvida se deveria postar ou não os números reais no blog, isso porque tinha a certeza absoluta de que os comentários seriam do tipo “que desperdício”, “jogou dinheiro no lixo”, “você não sabe dar valor ao dinheiro suado que ganha”, etc… qual não foi a minha surpresa ao ler nos comentários que não só não apareceu nenhum tipo de crítica desse nível como também alguns pediram mais informações sobre a viagem.

   Pois bem, como esse é um blog de finanças vou tentar ao máximo me manter próximo do título desse post e passar para você leitor o quanto custa conhecer um dos países mais caros e exóticos do mundo, a Islândia.







   Antes de entrar em detalhes quero dar uma visão geral dos gastos e da viagem como um todo, foram gastos R$ 24.860,93 (ou aproximadamente USD6500) ao longo de 12 dias de férias. Esse valor me permitiu viajar de Dubai para Copenhagen, pegar um trem para passar uma tarde na casa do meu irmão, voltar para o aeroporto e pegar o voo para Reykjavik, passar duas noites por conta própria em um hotel da cidade, depois pegar uma excursão de 6 dias percorrendo 1.332km e dormindo cada noite em um hotel diferente, mais uma diária por conta própria em Reykjavik, voo de retorno para Copenhagen, mais 3 dias na casa do meu irmão e finalmente o voo de retorno para Dubai. Como podem ver as férias foram mais complexa doque simplesmente uma viagem de ida e volta para a Islândia e talvez essa complexidade tenha elevado bastante os custos da viagem como um todo.



   Dubai-Copenhagen

   Essa primeira parte apesar de ter sido contabilizada na viagem para a Islândia teve um caráter pessoal, como não vejo os meus pais a um bom tempo aproveitei que eles estavam visitando meu irmão que mora em Copenhagen e decidi que a viagem obrigatoriamente deveria passar por lá, isso fechou meu leque de opções no quesito passagem aérea. Felizmente pude contar com o benefício de trabalhar em uma empresa aérea e desembolsei apenas UDS63 por esse trecho de ida até Copenhagen.

   Devido ao cronograma apertado apenas passamos a tarde na casa do meu irmão e aproveitamos para pegar algumas roupas de frio emprestado. Uma coisa que sempre me surpreende é o preço de trem na Dinamarca mesmo sendo transporte público, na ida tomei o meu primeiro prejuízo da viagem pois comprei passagem para a cidade errada, o bairro onde meu irmão mora tem um nome bem parecido com o de uma cidade na Suécia e por descuido meu comprei a passagem para lá ao invés do destino correto, só me dei conta da burrada a hora que contei para ele quanto havia pago pelos tickets, o preço normal para duas pessoas é de USD18 e eu paguei absurdos USD44 sem querer.

   Passamos uma rápida tarde com a família e a noite pegamos o voo com destino à Reykjavik, dessa vez comprei as passagens de trem certas (USD18).



   Copenhagen-Reykjavik

   Aqui começou a pesar a falta de flexibilidade de quem trabalha, como irei descrever logo a frente comprei um pacote de 6 dias ao redor da Islândia e caso eu perdesse o dia e horário de embarque correria o risco de ter que ir atrás da excursão por conta própria para não perder todo o meu dinheiro devido a “no show”, isso aconteceu com um casal da excursão e o táxi para eles chegarem até nós no primeiro dia custou a bagatela de USD600 segundo eles. Então no trecho de ida decidi optar por comprar as passagens ao invés de tentar usar o benefício de quem trabalha em empresa aérea (se o voo lotasse não consigo embarcar com a passagem de funcionário), dei muita sorte pois o voo que comprei era em um sábado e consegui um ótimo desconto por isso, as duas passagens (minha e da mulher) custaram um total de USD260. Esse foi só o trecho de ida, na volta usamos o benefício pois não seria um desastre não conseguir embarcar no voo planejado.


   Reykjavik

   Chegamos pouco antes da meia noite e por medo de perder a excursão planejei ter um dia extra na cidade uma vez que somente no dia seguinte seria o dia de pegar a excursão. Por isso praticamente joguei uma diária de hotel no lixo, o aeroporto fica à 40 minutos do centro então é preciso pegar um ônibus tipo “Airport Service” que saiu por USD71 para nós dois, ônibus extremamente confortável e com internet. Colocamos os pés no hotel próximo da 1h da manhã, ambos com fome porque hoje em dia não se serve nada em voos dentro da Europa, então comemos uma pizza antes de dormir (20USD). Acabei meio que desperdiçando as diárias do hotel pois chegamos de madrugada, passamos o dia na rua e no dia seguinte pegamos a excursão, de um jeito ou de outro mesmo tentando economizar gastei USD445 em duas diárias. Ficamos no hotel Center Plaza bem no centro e de fácil acesso.

   No dia seguinte conseguimos a façanha da acordar cedo e andar pela cidade, ela é bem pequena e dá para fazer absolutamente tudo à pé, baixei um roteiro no Google Maps e fomos curtir uma bela caminhada pelas ruas. Na hora que deu fome estávamos andando próximo das docas e vimos uma fila grande para entrar em restaurante pitoresco, como todo bom brasileiro mesmo sem saber doque se tratava entrei na fila e depois fui descobrir que o restaurante servia entre outras iguarias bife de balei e sopa de lagosta. Não demorou muito para conseguirmos um lugar na mesa e não consegui resistir a tentação de experimentar a carne de baleia, foi então que após a primeira garfada eu entendia o porque esse animal é considerado o maior mamífero da terra ao invés de peixe, é quase impossível diferenciar a carne de baleia de um bom bife de boi! A sopa de lagosta também caiu bem e somados com  duas cervejas a conta ficou em USD62. Totalmente recomendo o local, depois fui descobrir que é um lugar famoso chamado SeaBaron.


Carne de baleia, suculenta e saborosa como um bom bife de boi.





   Exploramos a cidade por mais algumas horas, até que escureceu e o frio começou a incomodar. Naquela noite ainda fomos jantar em um restaurante de ramen já que minha mulher é asiática e fica difícil convence-la à abrir mão de uma boa sopa de ramen com aquele friozinho, já assustados com os preços (e eu não estando com muita fome) decidimos dividir o prato, pedimos uma saladinha, um ramen e bebidas… USD35. Lugar recomendado para quem curte esse tipo de culinária Ramen Momo (recebeu ótimos reviews em sites especializados).


Ramen Momo





   The Ring Road

   Com a ajuda de um amigo que já tinha ido conhecer a Islândia tentei planejar minha viagem da melhor maneira possível. Basicamente existem 3 maneiras de se conhecer o país, alugar um carro e percorrer tudo por conta própria ficando em hotel, juntar-se à uma excursão ou alugar um trailer. Depois de muito malabarismo para casar as datas das minha férias com a disponibilidade das operadoras de turismo decidi que iria me juntar à uma excursão, simplesmente estava tão exausto do trabalho que tudo que eu queria era que alguém fizesse os planos e dirigisse por mim.


Ring Road Around Iceland




   Em alguns momentos achei que foi a decisão acertada e em outros que gostaria de ter optado por fazer uma vigem com um trailer, o problema de excursão (apesar de ter sido com um grupo pequeno) é a correria, eu poderia facilmente passar um dia inteiro explorando um lugar que ficamos apenas 2 horas. Mas eu tive que decidir se queria ver o máximo possível do país ou tentar aproveitar menos coisas com mais calma, no final decidimos pelo roteiro chamado 6 Day Around Iceland Adventure" operado pela Extreme Iceland. Nele você percorre o país inteiro em 6 dias dando literalmente a volta pela ilha inteira, são no total 1.332km dormindo cada dia em uma cidade diferente. Basicamente é um micro-ônibus com um guia dirigindo, ele te explicando tudo e vai parando nas principais atrações que já estão inclusas no pacote, além de hotel e café da manhã. O pacote custou USD3.871 para nós dois.


   Dia 1

   Conforme combinado a excursão nos pegou próximo ao hotel e partimos para o primeiro dia de aventuras. Nesse dia percorremos algumas centenas de quilômetros parando em parques nacionais com importância histórica para os Vikings, cachoeiras decoradas por arco-íris, paisagens de tirar o fôlego, géiseres cuspindo água quente e praias que serviram de cenário para a filmagem de Game of Thrones.


Géiser que cospe água a cada 5 minutos



Black Beach, aqui foram filmadas algumas cenas de Game of Thrones







   No final do dia chegamos ao nosso primeiro hotel mas não sem antes o guia parar em um supermercado para que pudéssemos comprar o jantar, sabendo dos preços exorbitantes do país ele mesmo nos encorajou a comprar queijos, vinhos, etc… para comer no hotel. Gostei muito da atitude dele pois era de se esperar que um guia tivesse algum tipo de acordo com os hotéis afim de "forçar" os turistas a gastar no restaurante do próprio hotel. Uma comprinha básica de queijos, pão, embutidos e uma sobremesa saiu por USD30, o vinho eu comprei no hotel pois na Islândia só se vende álcool em lugares especializados (coisas de país semi-comunista).


   Dia 2

   Acordamos cedo e colocamos o pé na estrada para realizar um dos meus passeios favoritos, trekking nas geleiras. Esse passeio de 4 horas já estava incluído no pacote e tivemos a oportunidade de caminhar com botas de “prego” sobre as monstruosas geleiras que se espalham pelo sul do país. Após a caminhada de 4 horas paramos para almoçar e foi onde um prato de sopa juntamente com um de arroz com salmão, acompanhado de uma taça de vinho custou quase 200 reais!


Caminhada sobre as galeiras



Icebergs que se desprendem das geleiras e formam uma lagoa








   Na parte da tarde fomos visitar a lagoa dos icebergs e a praia onde eles encalham e ficam derretendo chamada Diamond Beach.


Praia dos Diamantes, os icebergs encalham e derretem na areia escura





   Dia 3

   Mais um dia de estrada e paisagens inesquecíveis, porém nesse dia entrou uma tempestade e acabamos cancelando uma caminhada de 2 horas que estava programada, dessa forma nos abrigamos no hotel quentinho e por sorte era o melhor hotel da viagem. Desfrutamos de um spa de águas quentes que ajudou a aquecer os ossos que já estavam congelando.










   Dia 4

   Logo pela manhã tentamos realizar a caminhada que tinha sido cancelada no dia anterior devido à tempestade, parte do caminho beira um penhasco e eu finalmente entendi a preocupação do guia com a ventania do dia anterior. Como quase toda caminhada na Islândia ao final somos presenteados com uma bela cachoeira e de quebra um arco-íris.





   O tempo não firmou mas mesmo assim tocamos viagem rumo às montanhas, lá em cima começou a nevar e foi hora de termos nossa primeira experiência com os banhos naturais nas lagoas termais. O cheiro de enxofre é forte mas foi surreal banhar-se naquelas piscinas naturais em meio a neve que caía!





 
   Dia 5

   Nesse dia estava previsto um passei para observação de baleias, infelizmente devido ao mau tempo foi cancelado, estou aguardo ainda a devolução do dinheiro que foi prometida pelo guia. Foi um dia meio improdutivo e o guia teve que usar de criatividade para preencher o tempo livre, no final fizemos mais do mesmo (paisagens, praias dignas de cenário de filme, etc…) até aquele momento tudo isso já tinha caído na rotina e a grande estrela da viagem não tinha dado as caras devido ao mau tempo, estou me referindo à aurora boreal ou luzes do norte como chamam por lá.

   Ficamos em um hotel interessante que faz parte de uma universidade, comemos bem e ainda dividindo os pratos, decidimos ir dormir cedo pois depois de tanta estrada estávamos cansados. Ás 23h quando eu já tinha caído no sono começou a gritaria e alguém corria alucinadamente pelos corredores do hotel esmurrando todas as portas que encontrava pela frente. Demorou um pouco para eu entender oque estava acontecendo mas logo caiu a ficha de que os gritos diziam “Northern Lights! Norther Lights!”, era o nosso guia…

   Pulamos da cama e colocamos a primeira roupa que vimos pela frente, ao chegar lá fora o céu estava limpo e conseguimos ver uma pequena faixa clara no céu, como uma nuvem iluminada pela lua em uma noite bem escura. Já tínhamos nos dado por satisfeitos e acho que todo mundo pensou “as fotos nas propagandas são bastante exageradas”, foi quando como mágica o céu se iluminou de uma maneira que eu nunca achei que poderia ser possível, em mais de duas décadas como piloto eu nunca havia visto algo parecido! Fotos nunca irão descrever oque vimos naquela noite, foi um show de luzes que dançavam pelos céus e fluíam como em um rio iluminado… difícil descrever. Tiramos algumas fotos mas a vontade era de apenas curtir o momento, depois daquele show relutamos em voltar para a cama mas o frio estava muito intenso e iríamos acordar cedo no dia seguinte, caímos no sono novamente com aquelas imagens gravadas para sempre em nossas mentes.


Infelizmente a foto ficou tremida, mas o show de luzes foi incrível.







   Dia 6

   O último dia da excursão começou cedo e com tudo mundo de ânimo revigorado devido à surpresa da noite anterior, eu meio que já tinha até me conformado que iria embora para casa sem ter visto a aurora boreal, porém graças ao nosso guia não deixamos a Islândia sem ter apreciado sua maior atração. Antes te tomarmos o caminho para Reykjavik fizemos uma caminhada sobre a cratera de um vulcão adormecido, lá de cima deu para ver bem o campo de lava resfriada que ele deixou após sua última erupção. Depois fomos conhecer mais um parque nacional repleto de cachoeiras e águas cor de esmeralda...





   Por último foi a vez de fazer uma parada em uma fazenda de cavalos islandeses, lá nos foi oferecido um chocolate quente acompanhado de um pão com manteiga muito especial cozido dentro de caixas de leite vazias que são colocadas bem onde sai a água quente do solo, ficam por lá cozinhando durante um dia inteiro antes de serem servidos.


   O passeio acabou para a gente mas a viagem não, fomos deixados no centro da cidade e de lá pegamos uma rápida excursão para conhecer uma das principais atrações de Reykjavik, a Blue Lagoon. Novamente uma piscina natural de água quente, só que ao contrário da primeira experiência não estava nevando, essa por sua vez é mais requintada, até um bar dentro dela tinha. Ficamos lá até as onze da noite e tivemos a sorte de poder ver mais uma vez a aurora boreal, não foi nada comparado ao que tínhamos visto na noite anterior mas é sempre algo especial, dessa vez as luzes foram menos intensas.

Blue Lagoon






   Passamos a noite em um hotel muito próximo do aeroporto, bem simples porém muito arrumadinho chamado The Guest House.  A diária mais uma vez foi desperdiçada pois fizemos o check-in perto da meia-noite e deixamos o hotel às 5 da manhã, para isso desembolsei mais USD197.


   Reykjavik-Copenhagen

   Na volta decidimos economizar e usar o benefício de passagens da empresa, custou apenas USD74 por pessoa e na hora do check-in ainda fizeram um upgrade cortesia para a classe executiva. Entramos na aeronave animados por termos conseguido embarcar tão facilmente e logo tomamos nossos lugares. Porém a felicidade durou pouco, não demorou muito e o comandante informou que teríamos todos que desembarcar pois aquela aeronave havia sofrido uma colisão com um pássaro durante o pouso anterior e teria que passar por manutenção. Com a experiência que tenho já sabia que tudo iria se complicar, normalmente quando isso acontece a empresa aglomera o máximo de passageiros nos outros voos, e como estávamos voando com passagem benefício seriamos os primeiros a ficarmos sem lugar no avião.

   E não deu outra, para resumir a história depois de muito stress o comandante gentilmente cedeu dois lugares no cockpit por sermos tripulantes, mas quando chegamos no avião dois passageiros não apareceram e conseguimos um lugar no voo sem precisarmos ir sentados na cabine. Logicamente os lugares não eram mais na executiva porém estávamos felizes em não sermos desembarcados e ter que arcar com mais uma diária de hotel, oque tornaria o desconto na passagem para funcionário um péssimo negócio.


   Copenhagen

   Passamos mais três dias na casa do meu irmão onde desfrutei de bastante tempo junto da família, gastei com supermercado e outros coisas menores.


   Copenhagen-Dubai

   Hora de voltar para casa e para a rotina de trabalho, mais uma vez usamos a passagem benefício da empresa que custou mais USD63 por pessoa, quando vejo esse preço me pergunto porque não viajo mais no meu tempo livre e aí me lembro de todos os outros custos envolvidos em uma viagem além da passagem. O voo não teve enrosco pois estava vazio e depois de pouco mais 5 horas estávamos em casa e de volta à nossa rotina.




   Resumo Financeiro

   Como disse a viagem envolveu mais doque simplesmente conhecer a Islândia e por isso talvez tenha gasto um pouco acima do normal, acho que o grande vilão da história foram essas 3 diárias de hotel que tive que desembolsar por conta própria para poder chegar mais cedo à Islândia, mas considerando que para se usar o banheiro por lá paga-se em média USD2 não tem como uma viagem dessas ficar barata de verdade.

Abaixo deixo um pequeno resumo de tudo que gastei:

Passagens benefício Dubai-Copenhagen (ida e volta p 2 pessoas): USD255
Passagens com reserva Copenhagen-Reykjavik (2 pessoas): USD260
Passagem beneficio Reykjavik-Copenhagen (2 pessoas): USD148
TOTAL PASSAGENS: USD663


Pacote de 6 dias ao redor da Islândia: USD3.871

Gastos gerais na Islândia: USD1.032


Gastos com hotel fora do pacote (3 diárias): USD642


Gastos em Copenhagen: USD335



Sr.IF365