Tempo “perdido”…

   Andei meio sumido do blog essa semana pois tirei alguns dias para ir visitar a família da minha mulher em Jakarta na Indonésia, o plano inicial era ir ver os meus pais em Portugal mas acho que já fui muito egoísta durante esse ano todo e nada mais justo do que usar uma das nossas férias para visitar os parentes dela também. Foi uma viagem curta mas intensa, Jakarta lembra muito São Paulo e toda aquela loucura do trânsito, shoppings e restaurantes… gasta-se praticamente um dia inteiro só para fazer uma única coisa do outro lado da cidade. Os pontos altos da viagem foram a culinária local, o filme do Freddie Mercury que fomos assistir e a imersão na língua local que eu ainda estou muito longe de aprender. Mas não é exatamente da viagem que eu quero falar hoje e sim sobre uma característica do estilo de vida FIRE que o Mad Fientist uma vez comentou no podcast dele e que eu pude experimentar em primeira mão, trata-se da falta de pressa para se fazer as coisas quando o tempo não mais é escasso.





   Desde que me conheço por gente a proporção entre o tempo que eu tenho que trabalhar para poder curtir alguns dias de férias sempre foi absolutamente desigual, todos os anos são 11 meses de sacrifício para se ter direito à 30 dias de tranquilidade. E sabendo que depois desses 30 dias serão mais infindáveis meses de trabalho até as próximas férias a minha tendência sempre foi querer tirar o máximo de proveito dessas 4 semanas de tranquilidade. Era praticamente uma questão de honra aproveitar cada minuto das férias, nada poderia ser desperdiçado!


   E no meio desse desespero de querer espremer cada gota do período de férias é que eu costumava fazer minhas viagens. Hoje consigo ver como era estressante, seja porque cada segundo era importante ou porque me doía a consciência quando sentia que eu estava desperdiçando aquele preciso tempo dormindo à tarde ou discutindo com a mulher. Eram apenas 30 dias e eu não poderia me dar ao luxo de desperdiçar com nada que não fosse diversão!


   Mas essa última semana teve um gosto diferente, apesar de ter que retornar ao trabalho dentro de alguns dias e não ter sido uma viagem que eu queira propriamente ter feito, em nenhum momento bateu aquela sensação de que eu estava desperdiçando um tempo preciso. Na verdade foi exatamente o contrário, meu sentimento era de que eu estava cumprindo algumas obrigações familiares e que dentro de poucos meses (após a IF) terei tempo para realmente curtir a vida. Chamo de obrigações familiares porque cada vez que visito a familia da minha mulher nunca é uma experiência propriamente divertida, as culturas são muito diferentes e a barreira linguistica simplesmente não permite ter uma conversa normal, pra mim são encontros sempre muito cansativos por ter todo mundo à minha volta falando sobre tudo (inclusive de mim) e não ter a minima ideia doque se passa. Sem contar que cidade grande não é a minha praia (desculpa o trocadilho!rs).


   Escrevo esse post dentro do avião voltando para o deserto, depois de uma semana cansativa na qual convivi com a famosa sinceridade asiática onde pessoas que você viu uma única vez na vida já dizem logo de cara “você engordou”, até infindáveis horas no trânsito, passando por típicas brigas com mulher pelos motivos mais fúteis possíveis, eu normalmente estaria puto da vida… quanto tempo precioso desperdiçado! Mas a realidade é que apesar de tudo estou voltando com aquela sensação de dever cumprido, usei as férias para tratar de obrigações familiares sabendo que logo, logo terei todo tempo do mundo para me dedicar ao que realmente me dá prazer. É praticamente uma inversão do que eu vivi até agora já que em breve eu terei a maior parte do meu tempo dedicado pra mim mesmo, então oque custa sacrificar um pouco dele com outras obrigações? Nem que elas não sejam exatamente do meu agrado…


   Arrisco a dizer que no final a experiência foi até positiva, cumprir obrigações sem a sensação de que estamos abrindo mão de um tempo preciosos e escasso tira um peso enorme dos ombros. Na verdade entre as poucas conversas que eu consegui manter com os parentes da minha mulher eles mesmos disseram como eu estava diferente… parecia bem mais leve e relaxado do que da última vez, leveza essa que eu posso sentir e que com certeza é fruto da liberdade que está cada dia mais próxima.



Sr.IF365