O problema do plano de saúde na IF... e suas soluções.

      Acho que plano de saúde é a maior preocupação da comunidade FIRE hoje em dia, e dou toda a razão para tanto alvoroço quando toca-se nesse assunto. Afinal, acredito esse ser um dos poucos fatores que se não bem gerenciado pode realmente dizimar o patrimônio de uma pessoa que conquistou a independência financeira uma vez que sempre estaremos dispostos a gastar até o último centavo para salvar a nossa própria vida ou a de um ente querido. Então está certíssimo a pessoa não abrir mão de um plano de saúde, porém quando vamos colocar os custos de um plano particular no orçamento descobrimos que esse item é uma verdadeira pedra no sapato como descreveu muito bem o "Ele Não Surfa Nada" nesse post AQUI.





   Gosto sempre de lembrar que independência financeira e aposentadoria antecipada exige flexibilidade, imagino que se você assim como eu ainda esteja empregado o plano de saúde subsidiado pela empresa cobre praticamente todos os tipos de doenças, além de consultas e talvez até checkups, e querer manter o mesmo nível de cobertura apesar de desejável pode realmente inviabiliza o orçamento para a IF, por isso é preciso analizar bem as todas opções disponíveis no mercado e colocar tudo na balança. No meu caso após refletir um pouco montei a seguinte estratégia, em um primeiro momento contratei um plano que cobre eventuais catástrofes, chamo de catástrofes aqueles tratamentos que possam destruir meu patrimônio como é o caso de quimioterapia, cirurgias, etc… então o plano que terei em Bali cobre tudo que for acima de 250 dólares até 1.5 milhões de dólares para tratamento hospitalar, em outras palavras se eu for parar em na emergência de um hospital e precisar ficar internado pagarei inicialmente 250 dólares e caso precise de uma cirurgia minha cobertura vai até 1.5 milhões de dólares, vale ainda ressaltar que o plano não inclui consultas rotineiras. E porque eu optei por um plano assim? Ao abrir mão de cobertura para tratamentos ou consultas de rotina que eu tenho condições de pagar a valor da mensalidade começa a ficar bem mais razoável, principalmente considerando que consultas de rotina não são caras na Indonésia, e caso (deus me livre) eu tenha um problema mais sério e que colocaria em risco a minha saúde e a saúde do meu patrimônio aí sim entraria o plano de saúde na jogada. É quase como se fosse um ”seguro de saúde” ao invés de um plano de saúde.


   Fazer cotação de plano de saúde é quase igual a cotar seguro de automóvel, as possibilidades são infinitas e obviamente quanto mais cobertura você contratar mais caro ficará o valor final do seguro, seguindo o mesmo raciocínio acima você pode contratar seguro para os vidros do automóvel por exemplo e nesse caso entram duas perguntas, quantas vezes seu vidro já quebrou? E se quebrar você tem condições de arcar com a troca? Imagino que para a maioria de nós esse evento raro mesmo que venha a se concretizar não irá destruir o orçamento de ninguém, apesar de um parabrisa custar um pouco caro não acho que seja necessário pagar mais por um seguro só para incluir essa opção. Já seguro contra perda total, roubo ou mesmo acidentes com terceiros eu acho essencial pois esses sim podem dizimar as economias de alguém ou acarretar a perda total do veículo. Lógico que ter uma cobertura total trás muito mais tranquilidade, seja para o carro ou para um plano de saúde… mas se a pessoa for adicionando “extras” no contrato vai acabar tornando o custo final inviável, e as vezes até de forma desnecessária.


   Hoje fechei com a William-Russell um plano que me fornecerá além de tratamento hospitalar na Indonésia também cobertura de até 90 dias em todo o mundo (com excessão dos EUA, Canadá e Caribe) durante viagens, lembre-se de que a cada 60 dias eu terei que sair do país e vou aproveitar para conhecer outros lugares, então ao invés de ficar contratando seguros de viagem essa apólice já me oferece flexibilidade suficiente durante as viagens. Como disse esse plano que escolhi segue os moldes acima, tem uma carência de 250 dólares e acima disso eles cobrem até 1.5 milhões de dólares. Até onde pesquisei consultas particulares na Indonésia são muito baratas e dificilmente ultrapassarei essa carência a não ser no caso de um acidente ou problema de saúde grave. Em todo caso tenho bastante folga no orçamento mensal para arcar com os custos de consultas corriqueiras, e sendo ainda relativamente jovens eu e minha mulher provavelmente não precisaremos de visitas frequentes à consultórios médicos. Por esse plano pagarei para nós dois 239 dólares por mês, sendo que em um primeiro momento pagarei bem menos (USD146) porque a Srta.IF365 não sabe quando irá pedir demissão do emprego e continuará com a cobertura da empresa.


   Diria que a minha opção é a chamada “à seco”, onde eu vou arcar com todos os custos… mas não podemos esquecer que existem outras opções para lidar com essa verdadeira pedra no sapato que é plano de saúde na IF, algumas pessoas podem se beneficiar de planos coletivos oferecidos por entidades de classe ou ainda praticar a chamada geo-arbitragem onde o indivíduo decide morar em um país onde o sistema público de saúde funciona ou planos particulares não custam os olhos da cara. Por curiosidade meu pai que beira os 70 anos de idade juntamente com minha mãe fizeram ambas as coisas, no Brasil eles pagam um plano de saúde acessível através do sindicato da categoria e ainda por cima se mudaram para Portugal onde não só o sistema público de saúde funciona relativamente bem mas também para se ter um plano particular por lá ainda não é necessário vender um rim. Para se ter uma idéia eles gastam por mês R$1.350,00 para manter o plano no Brasil e mais 300 Euros pelo plano em Portugal, na minha opinião nada mal para quem está próximo dos 70 anos de idade.


   Entendo que a tentação de manter o mesmo grau de cobertura de quando se estava empregado seja grande, mas flexibilidade sempre será o segredo para quem deseja conquistar e viver a IF, infelizmente o sistema de saúde virou comércio e nós viramos reféns dos planos, me entristece ver muita gente escrava do emprego que odeia só por causa do medo de perder o benefício subsidiado pela empresa. Mais trágico doque adoecer sem ter um bom plano de saúde é continuar trabalhando até o fim da vida por ser refém de um plano de saúde da empresa.


Sr.IF365

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