A Independência Financeira finalmente chegou…

   Será que mais alguém ficou acordado para ver oque aconteceria quando o contador zerasse (horário local aqui do deserto) ou fui só eu?rs Na verdade nem eu sabia oque iria acontecer… de um jeito ou de outro não poderia deixar passar em branco esse momento tão sonhado. A pesar de querer colocar no ar um post comemorativo mais pomposo decidi fazer uma pequena reflexão sobre esse momento… meu último voo já foi à alguns dias atrás e desde então estou de folga cuidando dos acertos finais. A verdade é que a ficha ainda não conseguiu cair e nada mudou na minha rotina… acho que a transição para a IF será um processo que levará alguns meses e no momento é hora de focar apenas na burocracia envolvida em deixar o emprego e mudar de país. Resumindo, a partir de hoje estou oficialmente desempregado e daqui pra frente só poderei contar com a renda passiva dos investimentos.

   Mas se tivesse que fazer um filme da minha jornada até aqui ele teria um enredo igual ao “Um Sonho de Liberdade” (The Shawshank Redemption), esse pra mim é um dos melhores filmes de todos os tempos e caso não tenha assistido sugiro parar de ler meu post e ir ver para que meus “spoilers” não estragarem o filme. Na verdade antes de escrever esse post eu fui assistir novamente para me inspirar… posso dizer com certeza que o dia de hoje pra mim pode ser representado pela imagem logo abaixo.

A cara do meu chefe ao descobrir que eu escapei da Corrida dos Ratos.




   Quem consegue esquecer essa cena maravilhosa onde não só os carrascos do filme como também os amigos olham incrédulos o túnel cavado secretamente ao longo de 19 anos e que permitiu o personagem principal Andy fugir da prisão? É impossível não traçar um paralelo com a corrida dos ratos em que estamos acorrentados… ao longo de todo filme acompanhamos o Andy tentando manter sua sanidade atrás das grades após ser condenado à prisão perpétua, tudo muito parecido com a gente lutando manter nossa sanidade ao sermos condenados à corrida dos ratos onde somos obrigados a trabalhar pelos resto da vida. A rotina vivida dentro da prisão cada vez mais se assemelha à nossa vida aqui fora onde temos horárias para acordar, comer, dormir, etc... lembro que ao longo da minha jornada literalmente tive que pedir permissão para tudo e raramente fiz algo no momento que realmente desejava, deixei que outras pessoas (os patrões) decidissem quando eu poderia viajar com a família, qual final de semana estaria disponível para participar daquele churrasco com os amigos e até onde iria passar datas importante como natal, ano novo e aniversários.


   Ao longo do filme somos apresentados à outros personagens que pelos motivos mais diversos também cumprem pena, entre eles um velhinho simpático que depois de 50 anos preso recebeu indulto e veio a ser solto, essa é uma das partes mais tristes do filme pois ao ser "enxotado" da prisão por bom comportamento ele simplesmente não sabe oque fazer aqui fora… após cumprir 50 anos de pena vemos que esse tempo não só tirou dele os anos mais importantes da sua vida mas também agora que está livre simplesmente não consegue se adaptar ao mundo moderno. Na verdade fora da prisão ele se sente um nada, a vida deixou de fazer sentido e a solução é o suicídio. Por mais absurdo que pareça já testemunhei pessoas do meu próprio convívio que não conseguem se aposentar pelos mesmo motivos, temem que ao deixar o emprego (que roubou os melhores anos das suas vidas) não irão se encontrar no “mundo lá fora”… e por isso preferem ficar presos até o fim. O filme trás ainda uma frase interessante sobre passar muito tempo preso, “esses muros são estranhos. No começo você os odeia, depois se acostuma e com o passar do tempo fica dependente deles”, fazendo uma analogia a mesma coisa acontece na corrida dos ratos onde no começo odiamos, para logo então nos acostumarmos e finalmente ficarmos dependentes do ciclo vicioso do consumismo onde trabalhamos cada vez mais para poder consumir ainda mais.


   Mas voltando ao personagem principal, apesar dele ficar rodeado por pessoas que simplesmente perderam a esperança de um dia conseguirem sair da prisão isso não o impediu de ao longo de 19 anos cavar um buraco na parede da sua cela, dia após dia ele usava um pequeno martelinho e avançava poucos centímetros rumo ao seu sonho de liberdade. Enquanto isso aguentava todo tipo de violação moral e física que alguém poderia sofrer na prisão… vai me dizer que isso não parece um jornada em busca da liberdade financeira? Aportes após aportes vamos avançando lentamente rumo ao nosso objetivo de liberdade enquanto somos massacrados pela vida… e um dia sem ninguém perceber construímos um “túnel” que nos permite escapar dessa prisão invisível.


O alívio por finalmente me tornar verdadeiramente livre.




   Assim como o Andy, no dia de hoje eu me liberto das grades da prisão e escapo da corrida dos ratos… deixo de ter que seguir ordens e me torno um homem verdadeiramente livre. Sem que percebessem cavouquei lentamente meu túnel rumo à liberdade e tudo que ficou para trás foi uma cela vazia, agora só me resta imaginar a cara do meu chefe ao olhar pelo buraco e se perguntar “mas como é que ele fez isso?”. Para quem lembra das cenas finais do filme sabe muito bem que após escapar pelo buraco na cela nosso herói ainda teve que se arrastar por 1km de esgoto até chegar à um pequeno riacho. Sinto que ainda estou me arrastando pelo esgoto prestes a atingir a liberdade, tem sido um período bem difícil e cheio de incertezas mas espero em breve resolver todas as pendências da transição para a IF e quem sabe ter um final feliz como foi o do filme. A cena final mostra Andy reencontrando seu velho amigo de prisão (Morgan Freeman)  em uma praia paradisíaca do México, eu ainda não tenho um amigo IF mas pelo menos espero poder em breve me deitar nas areis das praias de Bali e finalmente contemplar toda a jornada que me levou até a Independência Financeira e Aposentadoria Antecipada.



Meu sonho de liberdade, uma vida simples e com saúde na beira da praia.





Sr.IF

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