Adultos recebendo mesada, funciona?

   Ontem completou exatamente um mês que a Srta.IF se juntou à mim aqui na Austrália, de agora em diante o plano é passarmos a viver juntos e obviamente a minha renda passiva será utilizada para sustentar nós dois. Logo de cara já deu para sentir a dificuldade que será unificar a contabilidade, se antes cada um ganhava o próprio dinheiro proveniente do trabalho e gastava como bem entendia, agora não só contaremos com uma única fonte de renda como também os gastos individuais não serão mais “sigilosos”. Na verdade desde o começo do ano uma parte da minha renda passiva já vem cobrindo os gastos de ambos, coisas como plano de saúde e passagens aéreas pesaram nos orçamentos dos primeiros meses de Independência Financeira, mas agora a ficha caiu de vez e 100% dos gastos serão por minha conta… e já adianto que nesse primeiro mês juntos a estratégia inicialmente adotada não deu certo.





   Obviamente esse negócio de Independência Financeira é novidade para mim então só me resta aprender através de tentativas e erros, então nesse primeiro mês tentei adotar uma postura de não falar com a Srta.IF sobre dinheiro ou orçamento e ir cobrindo os gastos conforme as coisas fossem acontecendo. A ideia era deixar ela a vontade e não perceber o quanto estava sendo difícil manter o orçamento em dia aqui na Austrália, eu simplesmente não queria que ela sentisse a mesma sensação de escassez pela qual eu estava passando. Como no nosso relacionamento todas as decisões sempre ficaram por minha conta (ela se sente confortável com isso) achei que essa seria a fórmula do sucesso, porém eu não poderia estar mais enganada… foi um desastre!


   De forma sutil eu tentei limitar os gastos influenciando desde as escolhas na hora de fazer compras no supermercado até os lugares que fomos jantar fora, passando pelos passeios que fizemos e rejeitei tudo que parecia caro oferecendo alternativas mais baratas. Mesmo assim em alguns momentos chegava a um beco sem saída como por exemplo manicure, se para nós homens isso parece uma besteira já para a mulher é caso de vida ou morte. Então lá se foi quase 40% do orçamento do dia em unhas… no final essa estratégia gerou dois problemas, o primeiro foi que eu estava extremamente estressado por tentar manter o orçamento sob controle enquanto a Srta.IF não fazia a menor ideia do que estava acontecendo. O segundo foi ela se sentir péssima em ter que precisar pedir dinheiro para fazer qualquer coisa (dá para entender o lado dela). Foi quando aconteceu o evento do “gato de 2 mil dólares” que descrevi nesse post AQUI, aquilo foi gota d’água e me abriu os olhos para a necessidade de envolver a Srta.IF nas finanças ou pelo menos no orçamento.


   Sentamos para ter uma conversa, mostrei direitinho qual seria o orçamento até o final da viagem e como gastar menos em um dia nos permitiria gastar mais no dia seguinte, com isso um dos problemas parecia resolvido e ela se mostrou extremamente pró-ativa todas as vezes que precisávamos fazer um gasto, chegando ao ponto de ao final de cada dia me perguntar “Como foi hoje? Gastamos mais ou menos que o orçamento?”. Fiquei extremante satisfeito com o resultado e acho que manteremos o “ritmo financeiro” até o final da viagem aqui na Austrália. Porém uma coisa ainda me incomoda muito, me entristeceu ver que uma vez ciente dos números ela passou a limitar alguns gastos que para ela são importantes. Notei que nos últimos dias ela está incomodada com o estado das unhas e passou a olhar preço de esmalte em farmácia, mesmo sendo muito mais barato fazer as unhas em casa ela fica postergando a compra do esmalte para não pesar no orçamento do dia, já falei varias vezes para ela comprar o tal esmalte mas sem sucesso, prefere deixar para fazer as unhas em Bali mesmo. Pelo visto ela abraçou a frugalidade de vez enquanto estivermos aqui na Austrália onde cada dólar conta. Obviamente não iremos viver assim indefinidamente e só estamos passando esse aperto por querer viver essa aventura de 2 meses na terra do canguru.


   Nos últimos dias cheguei à conclusão que irei testar a boa e velha estratégia de dar uma “mesada” para a Srta.IF, será um dinheiro que eu apenas anotarei como “mesada” e não vou querer saber onde está sendo gasto, isso irá tirar um grande incomodo da minha mente e com certeza fará a Srta.IF se sentir melhor por não precisar ficar pedindo dinheiro para cuidar das coisas pessoais dela. Ainda não consegui definir se será um valor fixo ou proporcional à renda passiva do mês anterior, mas imagino começar com algo em torno de 500 dólares. Sei que alguns irão dizer “nossa Sr.IF como você é pão duro, tira mais de 4 mil dólares por mês em renda passiva e vaio dar só isso para a Srta.IF gastar?”, mas se for parar pra pensar todo o resto já está pago e eu particularmente não me lembro a última vez que gastei 500 dólares comigo mesmo… imagino também que terá gente aqui que irá dizer que é muito. Sinceramente preciso parar e analisar melhor os gastos da Srta.IF e então decidir oque fazer, como só terei condições de pagar essa mesada quando voltar para minha vida normal em Bali ainda tenho um bom tempo para refletir sobre o assunto.


  E você oque faria no meu lugar? Ainda não sei se essa será o solução ideal já que pagar mesada para adulto sempre implicará em problemas relacionados à ferir o ego da outra pessoa, dinheiro que vem fácil vai fácil, etc… mas não custa tentar.


Sr.IF