Ou compro à vista ou simplesmente não compro…

   Não sei se você já notou mas em todos os meus fechamentos mensais o campo “dívidas” está sempre zerado, e não é de hoje que eu vivo sem nenhum tipo de dívida seja financiamentos, compras parceladas ou empréstimos. Desde que quitei meu imóvel junto á Caixa antes de deixar o Brasil em 2014 nunca mais entrei em um único financiamento. Mas nem sempre fui avesso assim à fazer dívidas, apesar de nunca ter atrasado uma única parcela seja lá doque fosse eu sempre olhava com bons olhos os pagamentos parcelados e “sem juros”, coisa que é uma tremenda balela uma vez que não existe empréstimo sem juros.





   Costumava levar minha vida financeira fazendo pequenas dívidas principalmente no cartão de crédito tudo pago em 3, 5 ou 12 vezes “sem juros”. Parecia mágica, eu gastava durante um mês inteiro e o saldo da conta corrente continuava lá absolutamente intacto! E é justamente essa a armadilha do financiamento, a gente não sente a “dor” de ver o dinheiro indo embora, só sentimos o prazer imediato da compra sem aquela “dor” para frear nosso ímpeto de gastança. O dinheiro que sai da conta sem se perceber começa a se acumular em forma de parcelas mensais, são pagamentos individuais pequenas mas que se juntavam na fatura mensal para dizimar o orçamento e qualquer esperança de fazer um aporte gordo no final do mês.


   Foi então que me mudei para o exterior e por ser estrangeiro a dificuldade de se conseguir crédito é enorme, ninguém te vende parcelado e os juros cobrados por um financiamento são exorbitantes uma vez que a qualquer momento é possível sair do país e dar um belo calote na dívida, coisa não muito rara de acontecer por essa bandas. Então devido a dificuldade de crédito eu comecei a pagar tudo à vista e passei a tomar gosto pela coisa, fiquei maravilhado com a facilidade de acompanhar meus gastos de forma fácil sem ter que fazer projeções mirabolantes por conta das dezenas de compras parceladas efetuadas nos meses anteriores.
Hoje vivo a seguinte filosofia, ou compro à vista ou simplesmente não compro. Foi assim com meu veículo adquirido em 2014, além de conseguir um bom desconto também evitei a tentação de comprar um luxo desnecessário só porque a parcela “caberia no bolso”. Vi muitos dos meus colegas de trabalho cometendo tal equivoco e financiando a compra de Porsches, Audis, etc… tudo porque olhando somente para as parcelas a sensação que fica é a de que luxos como essas são mais acessíveis. É preciso entender que se você chega em uma loja e pergunta qual o valor da parcela ao invés de perguntar o quanto aquele produto custa, é porque provavelmente não está em condições de adquirir aquele bem.


   Não estou dizendo que você não deva viver seus sonhos de consumo, porém acho que já passou da hora de retornarmos aos primórdios das financias pessoais onde costumávamos primeiro economizar a quantia necessária e só depois ir às compras. Hoje tudo ficou muito impulsivo e fácil, somos bombardeados por oferta de crédito por todos os lados bancos, financeiras e operadoras de cartão de crédito ligam até mais de uma vez por dia oferecendo dinheiro fácil, uma verdadeira armadilha para quem busca a independência financeira ou apenas um equilíbrio nas finanças pessoais. Daqui por diante estou decidido a manter distância de qualquer tipo de financiamento ou empréstimo disfarçado de parcelamento, compro à vista ou simplesmente não compro!


Sr. IF365

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