Aprimorando minha estratégia de reinvestimentos...

   Quem acompanha meus fechamentos mensais já sabe como funciona a “regra dos 15%” criada por mim para tentar combater os efeitos nefastos da inflação que insiste em corroer meu patrimônio ao longo do tempo, expliquei em detalhes como ela funciona nesse post AQUI porém para quem está chegando agora vou dar uma pequena pincelada de como ela funciona antes de anunciar como estou aprimorando esse conceito.





   Basicamente a regra consiste em obrigatoriamente reinvestir 15% dos gastos do mês anterior. Ou seja, se meus gastos foram de R$10.000,00 em junho, em julho me vejo obrigado à reinvestir R$1.500,00… uma vez feito isso estou liver para gastar o restante da renda passiva. Obviamente nos meses onde os gastos forem maiores o reinvestimento exigido será maior e o contrário acontece nos meses que gasto menos dinheiro, tudo muito simples. Porém a grande pergunta continua, porque diabos o Sr.IF escolheu 15%? Porque não 10%? Ou então 20%? A resposta é simples, não sei! Na verdade achei 15% um valor legal porém sem nenhum embasamento técnico. E é justamente aí que começa o problema, e se a inflação for de apenas 4%? Vou acabar guardando mais dinheiro que o necessário e consequentemente levarei mais dinheiro para o túmulo…rs Ou pior ainda, e se a inflação disparar e chegar à 30%? Estarei perdendo feio para o índice e inevitavelmente se a situação perdurar por muitos anos o patrimônio será duramente penalizado. Por esses dois motivos eu cheguei à conclusão que a "regra dos 15%" precisa ser aprimorada. Porém antes de falar sobre a nova metodologia que irei adotar quero ressaltar um outro fator que está me irritando bastante todas as vezes que eu uso minha planilha para calcular a "regra dos 15%", quando vejo o valor a ser reinvestido e subtraio da renda passiva o dinheiro que sobra para ser gasto é praticamente igual à regra da" taxa segura de retirada de 4%" que eu tanto critiquei no post "Porque eu não gosto da “regra dos 4%” adotada pelos americanos", ou seja eu compliquei uma coisa que deveria ser simples!


   Para não ter que passar os últimos dias da minha vida de baixo da ponte porque a inflação destruiu meu patrimônio ao longo de décadas adotei uma estratégia que está apoiada por 3 pilares*: acompanhamento, tipos de investimentos e reinvestimento de parte da renda passiva. Já falei sobre essa estratégia em detalhes no post "Patrimônio vs Inflação" mas apenas recapitulando, o acompanhamento é feito mensalmente comparando a evolução do meu patrimônio real com o patrimônio teórico corrigido pelo IPCA. Apesar de ter começado a fazer esse acompanhamento a poucos meses já da para notar que devido ao “alinhamento dos planetas” deixei o índice de inflação comendo poeira, o mercado continua acreditando que o Brasil vai sair dessa crise e a bolsa disparou, os investimentos em dólares também valorizaram bastante, os juros baixos precificaram meus títulos do tesouro nas alturas e até o bitcoin decidiu se mexer… enfim como disse é o "alinhamento perfeito dos planetas" e com isso a inflação perdeu feio para a evolução patrimonial, hoje estou com R$152.464,22 acima do patrimônio teórico corrigido pelo IPCA.

   *Na verdade existe um quarto pilar que consiste no recebimento de herança e uma ação judicial mas que prefiro desconsiderar uma vez que são valores intangíveis.


Desde o começo da IF minha evolução patrimonial se descolou bem da inflação, oque me levou a rever a a "Regra dos 15%".






   O segundo pilar da minha estratégia consiste em dar prioridade aos investimentos atrelados à inflação, então com excessão dos meus investimentos no exterior teoricamente todos os outros deveriam acompanhar o índice oficial da inflação brasileira… ao menos é isso que deveria acontecer. É esperado que tanto os alugueis dos FIIs, os títulos do Tesouro IPCA, as ações e o aluguel da minha casa acompanhem o índice de inflação brasileiro a longo prazo. Mas aí você já deve estar pensando “a inflação divulgada pelo governo não é nem de longe a inflação real do meu dia a dia”, com certeza meu caro leitor… e é justamente aí que entra o terceiro pilar da minha estratégia, reinvestimento mensal de parte da renda passiva. Todos os meses reinvisto 15% do valor dos meus gastos comprando mais ativos, com isso espero estar compensando de alguma forma a diferença entra a inflação divulgada pelo governo e a inflação real que afeta minhas finanças.


   O problema atual da "regra dos 15%" é que eu estou guardando muito dinheiro, isso mesmo que você leu… devido ao “alinhamento dos planetas” meu portfólio disparou e a taxa de inflação do país continua lá em baixo, isso seria uma coisa excelente caso eu quisesse penalizar meu presente em prol de mais dinheiro pra levar para o meu túmulo. Sei que tudo isso pode soar absurdo mas não quero ver meu patrimônio continuar crescendo mais que a inflação, tudo que eu queria era apenas que ele se mantivesse a par com o índice sendo que até aceito uma leve deterioração ao longo de décadas, desde que eu não passe meus últimos dias de vida de baixo da ponte. Por isso partir desse mês estou alterando a regra dos 15% para a regra do IPCA, em outras palavras ao invés de reinvestir 15% dos meus gastos passarei a reinvestir o valor do IPCA acumulado dos último 12 meses que hoje representa 4,94%. Ou seja, se mes passada eu gastei R$ 18.781,03 esse mês me vejo obrigado a reinvestir R$ 927,90… um valor bem menor doque os R$ 2.817,15 caso eu utilizasse a regra dos 15%. A ideia é que conforma a inflação suba ou desça meus reinvestimentos irão flutuar também.


   “Mas Sr.IF, você não acha arriscado reduzir tanto assim seus reinvestimentos?”. Não diria arriscado, desconfortável talvez… mas essa decisão é justamente em função do acompanhamento minucioso que estou fazendo da evolução patrimonial frente à inflação, nada impede de no futuro eu rever a regra de reinvestimentos e determinar que dali por diante irei reinvestir o dobro ou até mesmo o triplo do IPCA. Nesse momento devido à alta dos ativos acabo tendo uma boa margem de manobra para reduzir o percentual de reinvestimento, veremos como será o futuro. De um jeito ou de outro essa grana extra vai diretamente para o fundo Tio Patinhas e ficará investida em um fundo de alta liquidez como se fosse uma reserva de emergência, mas para ser utilizada no dia a dia conforme despesas ou desejos inesperados aparecerem.


***Atualização 28.Jun***

   Depois de refletir sobre o assunto e ponderar oque foi dito em alguns comentários abaixo decidi que a reinvestimento passa a ser duas vezes o valo do índice do IPCA acumulado no ano, então utilizando o exemplo acima se o IPCA acumulado é de 4,94% irei investir 9,88% do valor dos gastos do mes anterior. Ou seja, se mes passada eu gastei R$ 18.781,03 esse mês me vejo obrigado a reinvestir R$ 1.855,79… um valor ainda menor doque os R$ 2.817,15 caso eu utilizasse a regra dos 15%.



Sr.IF

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