E se eu descobrir que tenho pouco tempo de vida?

    Ano passado um dos assuntos mais comentados na blogosfera de investimentos foi a morte do nosso amigo Viver de Construção (fato esse que está prestes a completar um ano no próximo mês), na época não teve um único blogueiro ou leitor que não se chocasse com o ocorrido passando a questionar se valeria a pena ou não toda essa busca insana pela IF, foi impossível não se colocar no lugar dele e imaginar como seria triste sacrificar-se tanto para conquistar a IF e morrer prematuramente sem poder aproveitar nem um pouco do que a Independência Financeira e Aposentadoria Antecipada tem à oferecer. Me lembro que a  notícia da morte do VdC espalhou-se rapidamente pela blogosfera e diversos posts sobre o ocorrido pipocaram por toda a internet, inclusive aqui no blog do Sr.IF (você pode ler AQUI).

   Naquela época eu passava por um momento bem sombrio lutando duro para permanecer firme no caminho em busca da independência financeira e obviamente a fatalidade que aconteceu com o VdC só me trouxe mais dúvidas se todo esse sacrifício valeria mesmo a pena, me lembro que quase joguei tudo para o alto para ir viver a IF ainda mais cedo do que o planejado, porém coloquei a cabeça no lugar e analisei friamente a situação conforme descrevi no post daquela ocasião.


   Agora, depois de ter experimentado o gostinho da IF aquele medo de “não chegar lá” passou e posso dizer que morrerei realizado… mas e se realmente eu descobrir que descobrir que tenho pouco tempo de vida?





   Vou tentar tratar esse assunto da maneira mais leve possível porém já adianto que esse é um post mórbido e que trará desconforto para alguns leitores, então caso seja sensível à esse tipo de assunto convido a pular a leitura desse post. A ideia de falar dobre isso me veio à mente essa semana depois que recebi mais uma vez um e-mail do meu pai com o título “O QUE FAZER QUANDO DA MINHA MORTE ”, conforme comentei anteriormente ele como todo bom engenheiro é extremamente organizado e sistemático (até para cozinhas ovo no café da manhã), então como parte dessa organização de tempos em tempo ele envia para mim, meu irmão e para a minha mão um e-mail contendo todo tipo de informações necessárias para quando infelizmente ele vier a falecer. Lá tem de tudo, desde uma mensagem de despedida até os dados de todas as contas e aplicações financeiras que ele possui, passando por telefones de funerária onde ele já adquiriu um plano de enterro, advogados, endereço de onde devemos enterra-lo e acredite se quiser instruções de como devemos nos comunicar caso ele encontre-se acamado e sem poder movimentar-se… não acredita? Olha oque ele escreveu:

“TETRAPLÉGIGO

   Gostaria de poder expressar se meu cérebro está funcionando ou não. Assim, fica combinado que:
   1) 1 piscar de olhos é sim e 2 é não.

   2) perguntem se estou entendendo. Se eu não puder ouvir, mas puder ver, vão me mostrando letras para que eu, piscando os olhos, possa formar palavras.”


   Infelizmente não herdei esse tipo de organização e planejamento dele, vou tocando a vida e deixando as coisas acontecerem, mas mesmo assim outro dia durante uma das muitas caminhadas que faço aqui em Bali pensei comigo mesmo “e se eu descobrir que irei morrer em breve?”. Uma vez li que temos esse tipo de pensamento mórbido todas as vezes que estamos felizes, é uma reação natural da pessoa ao medo de perder a felicidade conquistada então irei encarar isso como um bom sinal de que estou no caminho certo apesar dos meus planos de viver aqui na "ilha dos deuses" não terem dado certo. Mas a pergunta fica no ar, e se por um azar do destino eu descobrir amanhã que tenho poucos meses de vida? (batendo na madeira aqui) Pensei sobre o assunto e uma das coisas que farei é com certeza tirar o máximo de proveito da companhia dos meus familiares próximos, na verdade sonho em um dia fazer um super cruzeiro junto com meus pais, irmão, sobrinhas e a familia da minha mulher. Isso com certeza seria umas das coisas que colocaria em prática o mais rápido possível antes que a minha condição deteriorasse, bancaria a viagem para todo mundo no melhor navio que encontrasse… uma verdadeira viagem de despedida em grande estilo antes da “última viagem”.


   Acho que depois dessa viagem gastaria grande parte do patrimônio em tudo mais que me viesse à cabeça, principalmente em experiências que provavelmente não terei do outro lado da vida como bons restaurantes (nada como pela primeira vez na vida poder comer sem se preocupar com engordar!rs). Viveria meus últimos dias como um verdadeiro milionário gastando uns 2 milhões em poucos meses… logicamente não deixaria a Srta. IF na mão, mesmo não sendo casados deixaria uma herança de 1 milhãozinho para ela se reestruturar depois da minha partida, o que sobrar ainda seria dividido entre meus pais e irmão.


   Como a boa alma rebelde que sou provavelmente dependendo da situação não aceitaria partir pelas mãos do destino, faria questão de tomar as rédeas da situação e para evitar sofrimento optaria por usar parte do dinheiro em uma clínica de eutanásia onde pessoas que tiveram a infelicitada de desenvolver doenças incuráveis possuem a opção de ter uma morte digna e em paz. “Aí Sr.IF que coisa horrível!!!”, horrível é o que vemos em alas de hospitais com pacientes terminais meu caro leitor… caso queira ter uma ideia de como clínicas desse tipo funcionam você pode ver a versão amena e romantizada desse processo assistindo ao filme “Como eu era antes de você” (tradução horrível por sinal, o título em inglês faz muito mais sentido “Me Before You”). Agora se quiser "a real" tem um documentário disponível na internet que sempre me impressiona, ele traz imagens reais desde os dias que antecedem o processo de eutanásia até o momento onde tudo acontece. Já aviso que assistir esse documentário não é para todo mundo mas que na minha opinião chega a ser reconfortante saber que existe essa opção… outro caso mais recente e também documentado foi o suicido assistido de Michèle Causse, assim como no primeiro caso ela decidiu tomar o destino em suas próprias mãos e antes que uma doença terminal causasse sofrimento optou por uma morte mais digna do que é oferecida em hospitais… o documentário e o video mencionado serão postados abaixo mas assista por conta e risco, ambos não tem violência ou mesmo sofrimento porém para alguns as imagens são chocantes.

   Antes que alguém faça algum tipo de comentário eu sei que na religião católica (e no filme Constantino com Keanu Reeves) suicídio é punido com passar a eternidade no inferno, não vou discutir religião e cada um é livre para acreditar no que quiser… ainda mais quando em algumas religiões a pessoa é premiada com 7 virgens ao cometer suicídio (não sei como ter 7 mulheres para a eternidade pode ser algo desejável mas cada um com a sua crença!rs)







   Caraca, que post pesado, bem que eu avise no começo… até eu estou me sentindo mal após termina de escrever. Vou ver qual a repercussão e depende de como for até apago, blog não é para fazer o leitor se sentir mal e sim para entreter. Vamos ver…


Sr.IF

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