Mitos da Independência Financeira: "O primeiro milhão é o mais difícil…"

   Quem nunca ouviu aquele ditado que diz “dinheiro atrai dinheiro”? No fundo ele meio que reflete o efeito "bola de neve" que um planejamento financeiro bem executado pode apresentar ao tirar proveito dos juros compostos, crescimento da renda ativa, etc… resumindo, quando uma pessoa se preocupa com as finanças e não faz muita besteira com dinheiro a tendência é que ela não só acumule cada vez mais patrimônio mas também faça isso de forma exponencial podendo talvez dizer que sim, o “primeiro milhão é o mais difícil”.





   Com essa frase na cabeça e inspirando pela "Série Milionários” criada pelo blog Foco no Milhão onde ele traz posts com histórias de convidados que já atingiram seu primeiro milhão de reais, eu decidi fazer um pequeno balanço da minha trajetória até aqui e tentar descobrir se pelo menos no meu caso o mito do primeiro milhão ser o mais difícil realmente procede ou não.

   Para responder essa pergunta eu decidi correr atrás dos informes de imposto de renda dos últimos 13 anos e montar um pequeno gráfico da evolução patrimonial e partir dele tirar algumas conclusões que poderiam ajudar a desvendar o mito:




   Logo de cara é possível concluir duas coisas coisas, a primeira é que meu primeiro milhão foi conquistado em 2014 e a segunda conclusão é que o gráfico pode ser dividido em duas partes distintas, praticamente temos uma reta de crescimento menos acentuada entre 2006 até 2015 e outra que tornou-se bem mais verticalizada a partir de 2015 até os dias atuais. Considerando que comecei no meu primeiro emprego com carteira assinada em 1998 foram aproximadamente 16 anos até a conquista do primeiro milhão, porém depois disso incrivelmente após cruzar essa marca o segundo milhão veio apenas dois anos depois, o terceiro em mais dois anos e o quarto milhão (marca que eu nunca imaginava poder atingir) em mais dois anos também, ou seja a dá para realmente dizer que o primeiro milhão é sim o mais difícil… pelo menos no meu caso.


   Porém essa diferença absurda entre o tempo que levou para chegar ao meu primeiro milhão e depois para conquistar os milhões seguintes me fez pensar sobre o que eu posso ter feito de errado até 2014 ou então o que eu possa ter feito de certo a partir de 2014. Obviamente todo começo de carreira é lento e de certa forma mal remunerado, sendo assim é de se esperar que a curva inicial de acumulo de patrimônio seja bem leve e pouco verticalizada. Mas alem disso eu imagino que os gastos durante esse período também contribuíram para a lentidão do meu progresso, nesse período de 16 anos gastei com tudo que um jovem de sucesso deveria ter gasto desde construção da casa própria até festa de casamento, passando por divórcio e carro novo. Enfim, levei uma vida normal aos olhos dos padrões da nossa sociedade.


   Mas em 2014 aconteceu a grande virada na minha carreira quando deixei o Brasil para trabalhar fora e de uma única vez "matei dois coelhos com uma cajadada só", minha renda ativa triplicou e os gastos despencaram. Uma vez que meu salário passou a ser em dólares e meu contrato de trabalho incluía moradia, saúde e transporte por conta da empresa ficou fácil e praticamente tornou-se obrigação conquistar a independência financeira. O reflexo dessa mudança fica óbvia no gráfico onde a partir de 2016 a curva patrimonial passou à subir como um foguete…


   Apesar da minha história corroborar com a ideia de que “dinheiro atraia dinheiro” e que “o primeiro milhão é o mais difícil” é preciso notar que tudo se desenrolou desse forma não porque meu patrimônio gerou mais patrimônio e sim porque encontrei uma forma de triplicar minha renda ativa e ao mesmo tempo reduzir meu custo de vida de forma que consegui ao longo de 5 anos atingir uma taxa de poupança superior a 90%. É obvio que conforme o patrimônio foi crescendo a renda passiva gerada por ele também cresceu ao ponto que eu não só podia custear minhas despesas com ela como também sobrava um tanto para ser reinvestido, quando essa sobra era somada à minha renda ativa a taxa de poupança chegava à 110%… número esse que nem aparece nos gráficos de independência financeira por aí!rs Lembro que nessa época eu me deparei com duas opções, viver uma vida de luxo e gastos insanos ou tirar proveito dessa “tempestade perfeita” e conquistar minha liberdade. O caminho escolhido todos vocês já conhecem…


Sr.IF

Comentários