O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel… de casamento.

   Já faz um bom tempo que eu não faço um post de desabafo, antigamente eu escrevia muito mais posts desse tipo mas acho que felizmente a vida deu uma boa endireitada depois da IF e andou faltando inspiração para eu reclamar da vida para vocês!rs Mas como não existe bem que perdure ou mal que nunca acabe vou ter que confessar que as últimas semanas foram um inferno na minha vida pessoal, justamente quando tudo parecia estar se resolvendo (depois de gastar uma bela grana com a papelada para legalizar a Srta.IF no Brasil) e eu finalmente poderia respirar tranquilo a coisa azedou… por coincidência ou não tudo começou no dia que assinamos a escritura do regime de separação total de bens, a partir desse dia a ficha caiu na cabeça da Srta.IF e de alguma forma nas próprias palavras dela ela “se sente enganada”.





   Conversamos bastante antes dela deixar o emprego para vir morar comigo e durante essas conversas sempre deixei duas coisas muito claras, sou contra o casamento e iria faze-lo com o intuito de podermos compartilhar uma vida juntos já que seria praticamente impossível a gente morar legalmente em qualquer parte do mundo sem estarmos casados uma vez que eu sou brasileiro e ela estrangeira. A outra coisa que deixei claro é que eu não iria viver uma vida convencional, não me curvaria às babozeiras que a sociedade insiste em colocar nas nossas cabeças e isso inclui não só viver uma vida livre do trabalho como também não ter filhos, provavelmente não ter casa própria para podermos morar onde quisermos e muito menos cairia na velha armadilha de festa pomposa de casamento para provar pra toda a sociedade como somos fúteis. Quando coloquei isso na mesa a resposta que ouvi foi “mas eu só quero acordar todos os dias ao seu lado, eu vou onde você for”. Com isso na cabeça eu realmente acreditei que encontrei a mulher perfeita para viver meus sonhos de IF, liberdade plena longe das garras do consumismo e amarras que a sociedade tenta impor todas as vezes que alguém quer escapar do convencional.


   Mas como disse tudo mudou, rapidamente de príncipe encantado e homem perfeito virei o pior ser humano que já pisou na face desse planeta. Tudo porque eu aparentemente roubei os sonhos dela de viver um dia de princesa e provar para toda a sociedade que somos casados, o mais incrível é que a pressão também vem dos meus pais que insistem que eu devo fazer como manda o figurino já que a Srta.IF não viveu a experiência "fantástica" de uma festa de casamento. Exausto e apenas querendo paz concordei em fazer um jantar aqui no Brasil quando meus pais e meu irmão vierem ao país em janeiro e outro evento para a família dela quando formos visitar novamente a Indonésia. Achei que finalmente poderia ter um pouco de tranquilidade já que isso passou a me incomodar tanto que meus sintomas de stress voltaram com força total, dores de cabeça diárias, dores inexplicáveis pelo corpo, etc… aquela mesma historia de sempre todas as vezes que me vejo em uma posição que não queria estar.


   Porém nem a promessa de que iremos celebrar a união para todo mundo ver foi suficiente para acalmar a fúria casamenteira, agora é necessário simbolizar nossa união através de um círculo de metal cravejado de pedras brilhantes que algum pobre coitado que não tem onde cair morto coletou em uma caverna da África. Aparentemente nossa união não terá valor algum perante a sociedade sem que eu compre um anel de brilhante. Desde o começo eu já expliquei que não usaria aliança mas que não me opunha à ela usar uma, “ahhhh Sr.IF mas como você é mala”! Além de não achar bonito homem usando anel e achar um absurdo o preço cobrado por um pedaço de metal eu também já fui vítima de violência com uma faca apontada para minha jugular por um filho da puta que roubou a aliança do meu primeiro casamento. Desde então eu aprendia que quanto menos eu ostentar no Brasil melhor, hoje apresar de ter milhões na conta eu faço questão de andar de bicicleta velha e tirar meu relógio todas as vezes que vou à cidade (Apple Watch que a Srta.IF de muito bom grado comprou para mim), simplesmente não vale a pena correr o risco de morrer em um assalto por conta de um pedaço de metal.


   Expliquei tudo isso para a Srta.IF mas mesmo assim ela insistiu que uma aliança é imperativo para que possamos ter uma relação feliz, como eu havia concordado que ela utilizasse um anel fomos as compras. Saí de casa meio puto já imaginando que teria que torrar mil reais em um pedaço de metal cravejado com pedras que nem brilham no escuro. Já na primeira loja eu vi que o buraco era mais embaixo, a não ser que eu pegasse o anel e saísse correndo do estabelecimento não seria possível levar aquelas pedrinhas para casa por menos de R$3.500,00! Caralho, fico imaginando um bandido trocando um anel daquele valor por uma pedrinha de crack. Mas para a minha infelicidade tivemos que olhar mais umas 5 lojas até que a Srta.IF encontrasse algo do gosto dela, foi quando me vi sentado na frente da vendedora da Vivara com um orçamento de R$6.990,00 pela anel ideal. Muito ingenuamente eu pergunte “e á vista” imaginando que seria possível ela me dar 80% de desconto… a resposta foi que os preços da Vivara são tabelados e não seria possível me dar nem um centavo de desconto na compra do amor eterno. Aí eu pergunto, sou eu quem sou louco ou um pedaço de metal com pedras que não tem a menor utilidade vale mesmo tudo isso? Sou eu quem sou louco ou no Brasil é possível andar sim tranquilamente nas ruas com quase 7 mil reais no dedo? Sou eu quem sou louco ou joalherias acham que todos somos idiotas?


   Nem preciso dizer que fiz todas essas perguntas acima para a Srta.IF e desde então eu fechei a única saída para o inferno que estou vivendo, o clima azedou de vez. Confesso que pesquisando na internet vejo homens em situação bem pior que a minha com noivas criando regras para quando o rapaz deve gastar em um anel, li desde que o amor eterno deve custar um valor que cause certo sofrimento ao homem como prova de amor até que o anel deve custar 3 meses do salário bruto do coitado. Juro que não estou inventando, pesquise você mesmo se quiser.


   Nesse reboliço todo estou tentando achar uma solução que seja um meio termo, concordei em dividir o valor do anel e tudo que passar de R$3.500,00 fica por conta dela criando assim um “fator moderador”, porém apesar de ser normal os noivos dividirem o valor das alianças tal proposta foi recebida com fúria. A coisa chegou a tal ponto que estou sinceramente pensando em comprar a minha paz, gastar o 7 mil reais e quem sabe ter alguns meses de tranquilidade. Sei que isso vai abrir um precedente perigoso mas assim como na época em que eu vivia o inferno do trabalho eu só quero que isso acabe para eu ter paz, se dinheiro pode me comprar paz eu estou disposto a faze-lo.





Sr.IF