Quanto custou para conhecer o deserto do Atacama no Chile…

   Esse é mais um daqueles posts sobre as viagens do Sr.IF onde costumo fazer um balanço dos gastos que tive para conhecer o lugar e também compartilhar algumas dicas caso você decida um dia fazer a mesma viagem, para quem não notou ainda aí em cima do site tem um marcador contendo todos os posts que escrevi até hoje sobre viagens.

   Dessa vez vou compartilhar com você como foram as duas semanas que passamos no deserto do Atacama no Chile. Antes de mais nada já quero deixar claro que se você assim como eu gosta de viagens ligadas à natureza vale muito a pena colocar esse destino na sua lista de viagens futuras, porém é preciso lembrar que estamos falando de um deserto localizado à 2400m de altitude e por isso trata-se de um lugar inóspito que trará certo desconforto para a sua estadia, começando pela altitude da região que irá fazer você inevitavelmente se sentir mal durante os primeiros dias… eu particularmente tive o azar de pegar uma gripe leve justamente na véspera de embarcar para o Chile, só isso já foi o suficiente para eu acordar no meio da noite com uma falta de ar absurda por causa da altitude. Já a Sra.IF se sentiu mal em alguns passeios que exigiram caminhadas um pouco mais intensas em altitudes ainda maiores que São Pedro do Atacama, mas no final das contas bastou ficarmos calmos e pararmos de pensar na falta de ar que a ansiedade passa. Outro problema foi obviamente a aridez extrema do lugar, durante as duas semanas que passei por lá fui obrigado a adotar métodos pouco masculinos do tipo hidratante para o corpo, sem isso minha pela passou a rachar e sangrar devido à falta de umidade. Então antes de deixar o Brasil recomendo que você passe em uma farmácia e compre uma boa quantidade de hidratante labial, para a pele e também nasal ( esse eu não tinha e meu nariz sangrou muito durante toda a viagem). Acho que não preciso nem comentar sobre protetor solar, né? Enfim vou ter que dizer que esse não é o melhor destino de férias para quem tem algum problema respiratório ou mesmo de pressão alta, achei que devido à décadas praticamente vivendo dentro de uma cabide de avião pressurizada fosse me trazer alguma vantagem para enfrentar a altitude e secura do deserto do Atacama mas infelizmente não foi isso que aconteceu, sofri bastante principalmente na primeira semana.

Apesar de inóspito o lugar é realmente de tirar o fôlego... literalmente!rs





   Essa viagem trouxe algo de muito diferente quando comparada às outras viagens que fiz após deixar meu emprego para viver a independência financeira, eu simplesmente não me preocupei com os gastos! Tanto é que durante essas duas semanas eu sequer abri meu aplicativo onde minuciosamente anoto cada centavo gasto no dia a dia. Com o fundo Tio Patinhos já gordinho e sabendo que não faria nenhuma extravagância durante a viagem, decidi que simplesmente faria um balanço final somente quando voltasse ao Brasil. E que diferença isso fez no meu humor e stress! Ao contrário do aperto que passei na Austrália eu finalmente consegui relaxar e pouco me preocupei com os gastos durante toda a viagem, tudo bem que não podemos comparar os preços no Chile com os da Austrália mas mesmo assim o nosso país vizinho não é e nunca foi barato, mas no final acho que o valor total gasto ficou bem módico e não tomei susto na hora da soma final.


   A porta de entrada para o Atacama é a cidade de São Pedro do Atacama que não possui um aeroporto próprio, então todo mundo voa para a cidade de Calama e de lá faz uma viagem por terra de uma hora e meia até São Pedro do Atacama. Então compramos passagens com a LATAM (até hoje não me acostumei com esse nome horrível, saudades da boa e velha TAM) de ida e volta saindo de Guarulhos para Calama com uma escala em Santiago. Depois de anos sem voar em uma empresa “brasileira” me assustei como a aviação por aqui chegou a um nível tão baixo, mesmo uma empresa como a LATAM que deveria ser a maior do país opera como low-cost e cobra por absolutamente tudo, acho que nem empresa de ônibus faz questão de cobrar por tanta coisa que já deveria fazer parte da viagem. Comprei as passagens pela Expedia e tirando vantagem da minha flexibilidade FIRE optei pelas datas mais baratas, foram R$2579,34 para nós dois porém sem direito a despachar uma única bagagem! Para despachar uma mala desembolsei mais R$249,85 totalizando R$2.829,19 em passagens para ir e voltar de Calama… acho lamentável uma empresa do porte da LATAM cobrar para despachar mala em voo internacional, mas é o fundo do poço em que chegamos. Foi me oferecido ainda comprar a possibilidade de marcar assento, outro absurdo já que obviamente quem compra duas passagens de férias espera ao menos que sejam colocados juntos em alguma parte da aeronave, além disso recebi um e-mail dias antes do voo oferecendo a participação em um leilão para comprar um upgrade pra a classe executiva. Fora tudo isso foi um voo tranquilo com conexão rápida em Santiago e chegamos logo após o amanhecer em Calama já dando para ver da janelinha o que nos esperava lá em baixo, parecia que estávamos nos aproximando para pousar em Marte!rs

O visual durante a aproximação já anunciava o que nos esperava





   Para essa viagem decidimos que ao invés de pegar excursões alugaríamos um carro, para dirigir no Chile basta trazer o passaporte e sua CNH brazuca. A locadora escolhida foi a Econorent e pegamos o veículo no próprio aeroporto, uma pickup 4x2 zero quilometro! Deu até pena na hora de devolver sabendo que rodamos 2 mil quilômetros com ela e em sua maioria nas estradas de terra que levam às atrações principais… você não necessariamente precisa alugar uma pickup ou mesmo um 4x4 mas caso opte por um veículo de passeio comum irá sofrer bastante para chegar em algumas atrações, as estradas no Chile são um verdadeiro tapete de asfalto porém elas nunca levam ao destino final do passeio e por isso sempre tivemos que dirigir por até 80km em estrada de terra. A diferença para alugar um carro de passeio e uma pickup 4x2 não era grande, porém para alugar uma 4x4 já começa a ficar pesado no orçamento. Tenho certeza de que se tivesse alugado uma 4x4 não teria passado o apuro que passei quando o carro atolou no meio do deserto, porém definitivamente você não precisa alugar um veículo desse tipo… basta não inventar de pegar trilhas desconhecidas e ser cuidadoso com o terreno. Na hora da locação a empresa debitou do meu cartão de crédito o dobro do total da locação como forma de depósito de segurança, mas depois da devolução uma parte foi estornada e o aluguel do veículo por duas semanas ficou em US$ 1.128,48 (US$75,23 por dia).


Econorent, ótima opção de locação com bons preços e veículos zero quilometro!






   Conforme expliquei todos chegam para visitar o Atacama pelo aeroporto de Calama, a maioria absoluta acaba indo diretamente para São Pedro do Atacama, porém imagino que essa maioria não seja FIRE e por isso só tenha poucos dias de férias por ano para viajar… já o Sr.IF que não tem pressa decidiu ficar 3 dias em Calama para “descansar” da viagem de avião!rs E assim o fizemos, alugamos um Airbnb em Calama e aproveitamos para não só dar um rolê pela cidade (que não tem nada de turísticos) mas também tomar uma rota para o norte e admirar a paisagem. Confesso que ficar em Calama é perda de tempo, mas mesmo que você decida seguir diretamente para São Pedro do Atacama eu sugiro que passe em um supermercado de Calama e compre mantimentos para sua estadia por lá, acredite São Pedro é uma vila sem estrutura nenhuma e se você não fizer compras em Calama vai ter que se dar por satisfeito em viver de tranqueiras adquiridas nas diversas mercearias da cidade. Por isso acabamos fazendo “compra do mês” no supermercado Jumbo em Calama, além de congelados e itens básicos também abastecemos nossa adega de vinhos Chilenos para as duas semanas que passaríamos por lá, o objetivo era consumir uma garrafa a cada dois dias porém ao atingirmos a meta decidimos dobrar a meta e no final da viagem tivemos que comprar algumas garrafas extras na mercearia local em São Pedro do Atacama. Ainda em Calama fizemos a besteira de jantar um dia fora e logo me lembrei o motivo pelo qual sempre optamos por ficar em Airbnb equipado com cozinha, paguei absurdos 76 dólares em um restaurante peruano que nem estava lá essas coisas… daria para comer 5 dias “em casa” com esse valor mas foi bom para aprender a lição. A partir dali passamos a comer apenas coisas pequenas na rua e deixamos as refeições principais para serem cozinhadas em casa.



São Pedro do Atacama não passa de uma pequena vila com pouca estrutura e sem um único supermercado



   Como disse a cidade de São Pedro do Atacama é a porta de entrada para todos os passeios no deserto, acho inclusive o lugar pouco explorado comercialmente e a infraestrutura bem precária para o potencial que a cidade tem considerando que é a única na região a hospedar todos os turistas que vem ao Chile para conhecer o deserto do Atacama. Inicialmente ficamos no "Airbnb-puxadinho-semi-pronto" que relatei no post “A‌i‌r‌bn‌b‌‌, a empresa que eu mais admiro como cliente”, confesso que no final acabou tudo bem e com um desconto de 50% por conta da minha reclamação junto ao Airbnb o custo benefício ficou interessante no final das contas. Ainda no Brasil quando fiz as reservas dos lugares que iríamos ficar deixei 4 dias sem reserva alguma imaginando que pudéssemos fazer algo mais exótico do tipo acampamento no deserto, mas ao procurar pelas cidade não encontrei nenhuma empresa que oferecesse algo desse tipo, mais uma vez corroborando com a minha idéia de que o lugar poderia ser mais explorado comercialmente. Sem termos outra opção acabamos alugando um outro Airbnb para passarmos os últimos dias da viagem. Dessa vez a experiência foi condizente com o que esperávamos e o único problema que tivemos foi com a água quente e internet, mas o anfitrião resolveu tudo rapidamente.


   Até o momento os principais gastos já tinham sido feitos: passagens aéreas, aluguel do carro, alimentação e hospedagem… tudo que restava eram os passeios. Não parei para comparar mas acredito que economizamos muito dinheiro optando por fazer todos os passeios por conta própria, no geral para entrar nos parques estaduais cobra-se de 4 a 7 dólares por pessoas sendo que nos mais visitados a taxa chega a 14 dólares por pessoa. Acabamos fazendo uma única excursão que foi para ver as estrelas em um complexo de astronomia equipado com uma dezena de telescópios, até foi interessante mas esperava mais… talvez astronomia não seja o meu forte. Como só esse passeio de poucas horas custou 72 dólares imagino que fazer todos os outros com excursão teria saído bem mais caro que rodar por conta própria.





   Ainda falando em passeios nossos dias se resumiam a acordar (não muito cedo) e depois de um bom café da manhã “em casa” preparar um lanche para levar no passeio do dia, no geral rodávamos por aproximadamente 2 horas até chegarmos em alguma atração. Saindo de São Pedro do Atacama fomos para todos os pontos cardeais, Norte, Sul, Leste e Oeste. Cada uma dessas direções nos levou não só a conhecer as atrações principais mas também devido à nossa flexibilidade permitiu fazermos paradas inesperadas para tirarmos fotos incríveis. E foi justamente aí que uma merda de média proporção e uma quase-merda de proporção inimaginável aconteceu, para quem leu meu post anterior já sabem que ficamos atolados no deserto por quase 3 horas, no meio do nada e sem sinal de celular… alguns até perguntaram qual foi a reação da Sra.IF e ficaram surpresos em saber que tanto ela como eu em nenhum momento entramos em desespero, a verdade é que naquele mesmo dia tínhamos passado por uma quase-merda de proporção inimaginável e que justamente por isso tanto eu como ela ainda estávamos meio que anestesiados, por isso em nossas mentes ficarmos atolados no deserto com um carro plenamente abastecido com água e comida não era nem de longe a pior coisa do mundo. Poucas horas antes tínhamos parado bem em frente à um vulcão para tirar fotos, as estradas no Atacama são quase que desertas chegando ao ponto onde se é possível rodar por horas sem cruzar com absolutamente ninguém no sentido contrário, justamente por isso acabamos ficando relaxados e passamos a abusar da liberdade tirando fotos de ângulos inusitados no meio da pista. Nessa parada como tantas outras eu encostei o carro no acostamento e a Sr.IF foi do outro lado da pista para que eu pudesse enquadrar ela e o vulcão logo atrás, ao finalizar as fotos percebi a uma certa distância um caminhão se aproximando lentamente e disse para a Sra.IF correr para cruzar a pista pois daria tranquilamente para faze-lo antes do caminhão chegar, ao terminar a frase “vem, pode correr” uma van em alta velocidade cruzou no sentido contrário… meu coração parou. Caso ela tivesse me dado ouvidos em um único segundo nossas vidas teriam mudado para sempre, seria com certeza um atropelamento fatal. Confesso que tenho dificuldades até para escrever sobre o ocorrido nesse post, tudo aconteceu tão rápido e inesperadamente que por algum motivo eu ainda consigo ver a colisão acontecendo em minha mente. Só deu tempo de gritar “nãooooo” depois que a van passou… essa foi a a única reação que tive. Depois desse ocorrido ficou um gosto amargo pelo resto do dia e o segundo incidente em que atolamos no deserto ficou pequeno perto do que tinha quase acontecido horas antes.


Foto pouco antes do quase atropelamento da Sr.IF... quero esquecer esse momento.



   Quanto à segurança apesar do Chile ser muito mais seguro que o Brasil ainda sim é preciso lembrar que continuamos falando de América “Latrina” e por isso não dá para descuidar, durante nossa viagem fomos vítimas de dois golpes mesmo estando bem atentos em todos os momentos. O primeiro aconteceu no supermercado Jumbo em Calama onde alguns itens mais caros da nossa compra simplesmente desapareceram entre a caixa registrar o código de barras e a empacotadora colocar eles na sacola. Não sabemos exatamente quem foi mas alguns queijos e salames desapareceram! Já o segundo golpe aconteceu repetidamente no posto de gasolina em São Pedro do Atacama onde absolutamente todas as vezes que abasteci o frentista inseriu o valor “errado” na hora de passar o cartão de crédito, na primeira vez que isso aconteceu achei que foi realmente um lapso da parte dele, já na segunda vez imaginei que foi azar meu, porém na terceira vez eu tive a certeza que se tratava de uma tentativa de golpe. Ao ler o review do estabelecimento no google notei mais pessoas reclamando que os frentistas ao invés de inserirem o valor em pesos chilenos  que aparecem na bomba colocavam quantos litros foram abastecidos, isso talvez confundisse os turistas menos avisados e assim acabam pagado uns 10% a mais no valor final. Felizmente percebi o golpe já na primeira tentativa e fiquei esperto nos dias seguintes, até dá vontade de criar caso e chamar a polícia porém nunca se sabe com quem estamos lidando e acabei “deixando quieto” para somente escrever mais um alerta no review do google. Não adianta, essa parte do mundo assim como tantas outras nunca será primeiro mundo… mas fora o que relatei não nos sentimos inseguros em nenhum momento, mesmo nos lugares desertos.


   Não tenho a intenção de transformar esse post em guia de turismo mas como disse saindo de São Pedro do Atacama pegamos a estrada em todas as direções chegando em alguns casos praticamente à fronteira da Bolívia e Argentina. Abaixo o nosso roteiro das duas semanas que passamos no Atacama, sinceramente apesar das paisagens serem realmente impressionantes eu esperava poder fazer caminhadas maiores e ter mais contando com a natureza, mas no geral tudo resume-se a dirigir uma longa distância e conhecer as belezas do local. Seja por conta da altitude ou da aridez não dá a minima vontade de caminhar mesmo nos raros lugares onde existem trilhas, por isso exercitei muito pouco e apesar de não ter me pesado ainda imagino que tenha engordado infelizmente.


   Partindo de Calama: Laguna Chiu-Chiu, Salar de Carmen, Cidade de Chiu Chiu, Valle del Arcoiris e cidade de Rio Grande

   Partindo de São Pedro do Atacama: Lagunas Escondidas de Baltinache, Lagunas Altiplânicas, Salar de Atacama, Piedras Rojas, Salar de Talar, Salar de Aguas Calientes, Laguna Tuyajto, Laguna Chaxa, Geysers Del Tatio, Valle de la Luna, Pukará de Quitor, Valle de Marte e Garganta del Diablo.


   No total gastamos R$15.076,28 durante os 15 dias que passamos no deserto do Atacama, achei um valor bem razoável se considerarmos que o Chile definitivamente não é um lugar barato:

   Gastos em reais

Passagens 2 pessoas: R$ 2.579,34
Bagagem despachada: R$ 249,85
Uber ida e volta do Aeroporto: R$ 251,92

   Total em Reais: R$ 3.081,11




   Gastos em dólares

AirBnb: US$ 790,08
Aluguel do carro: US$ 1.128,48
Combustível:US$ 122,73
Alimentação: US$ 588,67
Passeios: US$ 151,83
Outros: US$ 129,66
   Total em dólares: US$ 2.560,97

TOTAL GERAL (com dólar a R$4,12): R$15.076,28


   Estou começando uma experiência e acho que finalmente achei utilidade para a conta do Sr.IF365 no Instagram, a partir de hoje ela será utilizada pela Sr.IF para postar fotos que achar interessante sobre o nosso dia a dia FIRE. Para quem estiver interessado ela escolheu algumas fotos da nossa viagem para o Atacama e postou por lá, quem quiser interagir com ela pode praticar o inglês (e ela por sua vez praticar o português) deixado comentários no Instagram. Continuarei escrevendo só aqui no blog pois não sou muito fã de redes sociais, mas o Instagram fica por conta dela… vermos o que acontece.

Sr.IF

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