Brasil, o paraíso FIRE é aqui?

   Me lembro do tempo em que pouco antes de conquistar a independência financeira e aposentadoria antecipada (FIRE) sonhava (na maior inocência do mundo) que desfrutaria desse sonho igualzinho ao o que lia nos blogues americanos sobre o assunto, me mudaria para um país onde tudo fosse barato dividindo meu tempo entre curtir uma excelente qualidade de vida morando na praia e viajando o mundo. Após alguma pesquisa cheguei a conclusão que a Indonésia (mais precisamente Bali) seria o destino escolhido, ao fazer essa opção logicamente teria que abrir mão dos confortos que a vida no ocidente oferece mas em troca seria recompensado com um custo de vida bastante modesto e que me permitira tirar o máximo de proveito da minha renda em reais. E assim o fiz, porém não demorou muito para perceber que não é fácil se adaptar a vida em um país subdesenvolvido seja ele qual for... se o custo de vida por lá era baixo isso tinha uma explicação óbvia, o povo no geral é pobre. Por conta disso não tem como ninguém esperar um ambiente "de primeiro mundo". Como tantos outros destinos famosos que oferecerem um custo de vida relativamente baixo, a pessoa que optar por viver nesses lugares inevitavelmente deverá aceitar que estará vivendo em um país com poucos recursos.








   Mas eis que com a desvalorização maciça da nossa moeda frente ao dólar, surge o Brasil para se juntar a lista dos países subdesenvolvidos (sei que vocês irão questionar essa minha classificação) que podem oferecer uma qualidade de vida atrativa para quem procura um lugar barato para viver. É claro que estou afirmando isso do ponto de vista do aspirante a FIRE gringo, infelizmente assim como acontecia na Indonésia o povo local era extremamente pobre e praticamente não tinha acesso as boas moradias, restaurantes e entretenimento que o país oferece. Enquanto eu possuía um poder aquisitivo para frequentar um bom restaurante japonês pagando 30 reais por pessoa, os locais tinham que se contentar com o muquifo da esquina que vendia uma refeição por 4 reais. Uma desigualdade absurda mas que é a realidade de tudo país pobre.



   E o Brasil infelizmente empobreceu, o Sr.IF empobreceu. Vi meu poder aquisitivo em dólares cair quase pela metade desde que deixei meu emprego, para se ter uma ideia hoje se eu pudesse voltar a trabalhar no meu antigo emprego eu conseguiria cobrir todos os meus gastos do ano trabalhando apenas 1 mês e meio. Juro que eu aceitaria voltar caso meu patrão me oferecesse a possibilidade de trabalhar um mês e meio e folgar o resto do ano!rs Infelizmente isso não existe na minha profissão.



  Mas voltando ao ponto de vista do gringo que procura um lugar barato para morar, coloque-se no lugar dele e faça as contas. Hoje eu gasto em média 7 mil reais por mês (estou desconsiderando a mesada da Sra.IF) para viver uma vida tranquila de classe média, isso dá hoje US$1.250,00 e que fazendo aquela conta de padaria para calcular o patrimônio necessário para viver de renda (25 vezes os gastos anuais) resulta em um patrimônio de "apenas" 375 mil dólares. Para um americano que ganha acima dos 100 mil dólares por ano (coisa que não é rara para a classe média de lá) a independência financeira e aposentadoria antecipada estaria logo ali, coisa de 4 a 5 anos de trabalho. É claro que esse indivíduo terá que aceitar as mazelas do nosso país, mas acredito que basta um pouco de boa vontade e pesquisa para descobrir que com essa renda dá por exemplo para tranquilamente se enfurnar em uma cidade do litoral de Santa Catarina e deixar uma boa parte dos problemas das cidades grandes para trás.



  Já o Sr.IF hoje encontra-se do outro lado dessa gangorra, me vejo forçado a questionar se ainda vale a pena ir para Portugal para viver contando os centavos e passando aperto, ou simplesmente viver uma vida tranquila de classe média refugiado em uma boa cidade no sul do Brasil viajando apenas como turista para a Europa. Quem sabe eu já estou no paraíso FIRE e não me dei conta ainda...



Sr.IF